A Prefeitura de São Paulo confirmou que as obras para a instalação de painéis de LED no centro da capital começam em março. A iniciativa, que vem sendo chamada de “Times Square paulistana”, deve ficar na esquina das avenidas Ipiranga e São João, uma das regiões mais simbólicas da cidade.
Segundo a administração municipal, o projeto não prevê a exibição de publicidade comercial tradicional, mas poderá contar com marcas patrocinadoras, por meio de acordos de cooperação. A previsão é que as obras durem entre três e quatro meses.
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O que está previsto no projeto da Times Square?
Além da instalação dos painéis de LED, a proposta da Times Square em São Paulo, inclui uma série de intervenções urbanas no entorno. Entre elas estão a qualificação de monumentos, melhorias no espaço público e a ativação de áreas socioculturais, com a ideia de aumentar o fluxo de pessoas e estimular o uso da região.
De acordo com a prefeitura, a iniciativa faz parte de um plano mais amplo de revitalização do centro de São Paulo, área que concentra prédios históricos, comércio tradicional e uma grande circulação de trabalhadores e turistas, mas que enfrenta desafios como esvaziamento e degradação urbana.
Publicidade não, patrocínio sim
A princípio, não haverá a venda direta de espaço publicitário nos painéis. No entanto, o projeto prevê patrocínios de marcas, modelo que tem gerado debates por envolver uma flexibilização indireta da Lei Cidade Limpa.
As marcas patrocinadoras entram como parceiras do projeto, sem transformar os painéis em outdoors convencionais. A contrapartida exigida envolve a exibição de conteúdos de interesse público, como artes e ações culturais.
Aprovação ainda passa por conselhos municipais
Antes do início das obras, o projeto precisa do aval final de dois órgãos importantes da cidade: o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU).
Esses conselhos analisam se a proposta respeita o patrimônio histórico e o impacto visual da cidade, pontos centrais do debate sobre o uso de painéis eletrônicos em áreas urbanas.
Como a Lei Cidade Limpa entra nessa discussão?
A Lei Cidade Limpa, sancionada em 2006 e em vigor desde 2007, ficou conhecida por reduzir drasticamente a publicidade visual nas ruas de São Paulo, retirando outdoors e painéis de grande porte.
Segundo a presidente da CPPU, Regina Monteiro, autora da lei, os termos de cooperação são hoje a principal forma de permitir esse tipo de mídia de maneira controlada. “O termo de cooperação é a única maneira de voltar com a mídia de forma bacana para a cidade. A pessoa que for bolar alguma coisa tem que pensar todo o pacote”, afirmou em entrevista ao Meio & Mensagem.
Nos últimos anos, a lei já passou por ajustes. Em 2008 e 2017, por exemplo, foram permitidos novamente relógios de rua e painéis de até vinte metros quadrados em vias como as marginais Tietê e Pinheiros.
Projeto já gerou divergências
Em 2025, a discussão sobre flexibilização da Lei Cidade Limpa voltou ao centro do debate com a tramitação de um projeto de lei na Câmara Municipal. Na época, entidades como a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo (IABsp) se posicionaram contra mudanças mais amplas.
Por outro lado, organizações ligadas à mídia out-of-home, como ABOOH e Central de Outdoor, defenderam a flexibilização, desde que acompanhada de estudos técnicos e planejamento urbano. Empresas como Eletromidia e JCDecaux, responsáveis por concessões de mobiliário urbano, também manifestaram apoio à manutenção da Lei Cidade Limpa com ajustes pontuais.
O que muda para quem circula pelo centro?
Para quem trabalha, mora ou passa diariamente pelo centro de São Paulo, o projeto pode significar mais movimento, iluminação e atividades culturais na região. Por outro lado, o impacto visual e o uso de patrocínios precisam ser acompanhados de perto para evitar descaracterização do espaço urbano.
A prefeitura afirma que novas informações sobre funcionamento, conteúdo exibido e regras de patrocínio devem ser divulgadas após a conclusão das aprovações finais.


