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PF amplia investigação nas Lojas Americanas e Justiça determina bloqueio de R$ 54 bilhões

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A Polícia Federal (PF) iniciou nesta quinta-feira, 25 de junho, uma nova etapa das investigações sobre as irregularidades contábeis nas Americanas. A segunda fase da Operação Disclosure cumpriu nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo e resultou na determinação judicial de bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 54 bilhões.

O valor é quase três vezes superior às inconsistências inicialmente reveladas pela companhia em janeiro de 2023, quando a empresa informou a existência de problemas contábeis estimados em cerca de R$ 20 bilhões.

Nova operação da Polícia Federal na Americanas
De acordo com a PF, novos laudos periciais apontam que o impacto financeiro do esquema pode alcançar R$ 54 bilhões | Foto: Reprodução / Wikimedia

A ação é conduzida pela Polícia Federal com apoio do Ministério Público Federal (MPF). Além das buscas, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o bloqueio de patrimônio dos investigados para garantir um possível ressarcimento dos prejuízos identificados ao longo da apuração.

Investigação avança sobre acionistas e representantes do setor financeiro

Nesta nova fase, os investigadores buscam esclarecer se acionistas da varejista e representantes de instituições financeiras tiveram participação ou conhecimento das irregularidades identificadas nos balanços da companhia.

Segundo a PF e o MPF, há indícios de que ex-dirigentes da empresa teriam estruturado um esquema para apresentar resultados financeiros superiores aos reais, escondendo dívidas e melhorando artificialmente os números divulgados ao mercado. A suspeita é que essas práticas tenham contribuído para a alta no valor das ações da empresa na Bolsa durante vários anos.

Como funcionava a fraude investigada?

De acordo com os investigadores, os envolvidos teriam usado mecanismos contábeis para esconder dívidas da empresa e apresentar lucros maiores do que os reais ao mercado. Um dos principais pontos da investigação envolve operações conhecidas como “risco sacado”. Nesse modelo, um banco ou instituição financeira paga fornecedores em nome da empresa, que depois devolve esse valor à instituição em um prazo maior.

Segundo a Polícia Federal, o problema é que essas dívidas não apareciam corretamente nos balanços da companhia. Assim, os valores deixavam de ser registrados como débitos com bancos e instituições financeiras, o que fazia a situação financeira da empresa parecer melhor do que realmente era.

Outro foco da investigação envolve as chamadas verbas de propaganda cooperada, um modelo comum no varejo em que fornecedores ajudam a financiar campanhas de divulgação de seus produtos. A suspeita é que parte dessas receitas tenha sido registrada sem comprovação ou com valores maiores do que os efetivamente existentes.

Lucros maiores e bônus milionários

A PF afirma que os números apresentados ao mercado beneficiavam diretamente integrantes da antiga administração da companhia. Segundo as investigações, parte dos executivos recebia remunerações variáveis ligadas ao desempenho financeiro da empresa. Com resultados mais elevados nos balanços, os bônus pagos aos dirigentes também aumentavam.

Além disso, a valorização das ações poderia gerar ganhos para quem negociava os papéis durante o período em que as informações financeiras eram divulgadas ao mercado. As autoridades apontam indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

Caso provocou uma das maiores crises corporativas do país

A descoberta das inconsistências contábeis em janeiro de 2023 provocou forte impacto no mercado financeiro brasileiro. Após a divulgação dos problemas, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial, mecanismo utilizado por empresas que enfrentam dificuldades financeiras para reorganizar suas dívidas e manter as operações em funcionamento.

O caso também afetou credores, fornecedores, investidores e instituições financeiras que mantinham relação comercial com a varejista. Desde então, o episódio se transformou em uma das maiores investigações corporativas da história recente do país.

O que diz a Americanas?

Em nota, a Americanas informou que não foi alvo dos mandados cumpridos nesta quinta-feira. A empresa destacou que a Operação Disclosure, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, está relacionada às irregularidades reveladas em 2023.

“A Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos.”

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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