A expansão do mercado global de apostas esportivas tem na Copa do Mundo seu principal catalisador. Projeções do setor indicam que o Mundial de 2026 poderá movimentar até US$ 60 bilhões (R$ 310,83 bilhões) em apostas esportivas em todo o mundo, representando crescimento superior a 50% em comparação com a Copa do Catar, realizada em 2022.
No Brasil, estima-se que os apostadores nacionais possam movimentar até R$ 31 bilhões durante o torneio. Esse montante expressivo equivale a cerca de 10% de todo o mercado global previsto para a competição.
O crescimento do setor é impulsionado por fatores como:
- Maior popularização das plataformas digitais;
- Consolidação da regulamentação do mercado brasileiro;
- Ampliação da Copa para 48 seleções, aumentando o número de partidas;
- Crescimento das apostas ao vivo durante as transmissões;
- Integração nativa entre canais de comunicação e plataformas de apostas.

Futebol cada vez mais dependente do dinheiro das bets
Nos últimos anos, as empresas de apostas se consolidaram como os motores financeiros mais potentes do futebol mundial. Clubes, campeonatos de elite, programas esportivos e influenciadores digitais passaram a receber aportes bilionários do setor.
A força dessa indústria se reflete diretamente nos elencos que disputam o Mundial. O impacto comercial da interdependência entre os atletas e as casas de apostas pode ser mensurado por três indicadores centrais:
- Saturação nos elencos nacionais: um a cada três jogadores convocados para defender suas seleções na Copa do Mundo atua em clubes cujo patrocinador master (ou principal) é uma empresa de apostas.
- Impacto na seleção brasileira: Essa proporção replica-se com exatidão no elenco do Brasil comandado pelo técnico Carlo Ancelotti. Dos 26 atletas convocados para disputar o torneio, exatamente nove (cerca de 35% do grupo) vestem cotidianamente a camisa de clubes que trazem uma bet estampada no uniforme.
- Parcerias com grandes atletas: Além do patrocínio institucional aos times, as bets investem em contratos de exclusividade individuais com os principais astros do torneio, utilizando figuras de grande alcance global, como os brasileiros Vinícius Júnior e Neymar, embaixadores em campanhas publicitárias de massa veiculadas no período dos jogos.
A dependência econômica atinge o ápice institucional na própria estrutura da Copa do Mundo. A FIFA incluiu oficialmente operadoras de apostas, como a Betano, em seu portfólio de patrocinadores do torneio para mercados estratégicos como a Europa e a América do Sul.
Esse fluxo maciço de capital é parte fundamental das metas de marketing da entidade máxima do esporte, que projeta arrecadar até US$ 3 bilhões (US$ 3 bilhões) apenas com contratos comerciais e de publicidade para o ciclo do Mundial de 2026.
Publicidade das bets entra no centro da discussão
A Copa de 2026 deve ser um teste importante para as regras de publicidade do setor. No Brasil, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, informou que haverá fiscalização intensificada durante o Mundial para garantir o cumprimento das normas de comunicação e marketing das empresas autorizadas.
Entre os principais pontos monitorados estão:
- Publicidade direcionada a menores de idade;
- Promessas de enriquecimento rápido;
- Mensagens enganosas sobre ganhos garantidos;
- Uso inadequado de influenciadores digitais;
- Ausência de alertas obrigatórios sobre jogo responsável.
O debate também avança no Congresso Nacional, onde novos projetos de lei discutem restrições ainda mais rígidas para anúncios de apostas em transmissões esportivas na televisão, redes sociais e espaços físicos dos estádios.
Regulamentação busca equilibrar crescimento e proteção
Desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pelo governo federal podem operar legalmente no Brasil. As plataformas precisam seguir regras específicas de identificação dos usuários, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção dos consumidores.
A regulamentação busca alcançar três objetivos principais:
- Garantir a arrecadação tributária estável;
- Proteger os consumidores contra fraudes;
- Preservar a integridade das competições esportivas.
Em 2026, o governo federal ampliou as medidas de controle sobre as apostas esportivas, incluindo novas regras sobre modalidades autorizadas, restrições envolvendo menores de idade e fortalecimento da fiscalização do setor.


