Durante o Rio Creative Conference (Rio2C), maior encontro de criatividade da América Latina, que acontece até o dia 1º de junho, no Rio de Janeiro, a cidade de Maricá (RJ) se destacou ao apresentar o Carnaval não apenas como uma celebração popular, mas como uma poderosa ferramenta de desenvolvimento estratégico, impulsionando a economia criativa, a cultura e o bem-estar social.
O painel “Cidade das Utopias e do Carnaval: Maricá convida Milton Cunha, AD Júnior e Gabriela Lopes”, realizado nesta sexta-feira, 30 de maio, e mediado por Aydano André Motta, trouxe ao público um debate abrangente sobre o tema, destacando como a cidade tem transformado a festividade, aliando tradição e inovação, sustentabilidade e inclusão. A imersão possibilitou que os participantes expusessem como a cidade fluminense está transformando a folia em uma alavanca para o futuro.

A discussão aconteceu no Palco Arts&Crafts, voltado às áreas de arquitetura, urbanismo, moda, design e artes. O espaço tem como objetivo promover uma reflexão interdisciplinar sobre como diferentes áreas se conectam e colaboram para resolver problemas complexos e criar experiências significativas.
Maricá foi posicionada como a “cidade da utopia”, um lugar que democratiza a possibilidade de sonhar e que respeita a vitalidade da cultura popular, utilizando o Carnaval como lente para pensar “novos futuros possíveis”, reforçando sua potência como motor da economia, da cultura e da expressão política.
Ao tratar de como a cidade apreendeu a festa popular como um ativo, tendo recentemente reconhecido a celebração e criado a Unicarnaval, uma universidade para o tema, o carnavalesco também fez críticas à maneira como a festa pagã é vista.”Você não tem no Ministério da Cultura a rubrica ‘Artes Carnavalescas’. Você entra pela literatura, cinema, teatro, ópera, mas eles não abrem artes carnavalescas, que teriam que abrir.” E complementou: “Todo Ministro da Cultura que me encontrar, eu vou dizer: tem de ter rubrica para as artes carnavalescas”, finalizou.
O debate ganhou ainda mais profundidade com as experiências e trajetórias dos palestrantes, que destacaram como o Carnaval tem sido uma força propulsora e uma ponte para a linguagem, a economia, a cultura e a expressão política. Gabriela Lopes, empresária, professora e primeira-dama de Maricá, enfatizou que a festividade deve ser trabalhada o ano inteiro: “Para os foliões, isso não é tão evidente assim. Então, acho que comunicar isso de forma orgulhosa e potente é o que precisamos fazer, porque é uma produção que acontece ao longo de todo o ano” — reafirmando que o desafio está em transmitir essa grandiosidade com orgulho e força.
Milton Cunha, carnavalesco, cenógrafo, psicólogo, professor universitário e comentarista, ressaltou a importância do direito ao sonho, especialmente em tempos difíceis. “Maricá está dando a chance pra molecada sonhar. E é ótimo que sonhem em ser engenheiros, médicos […] Mas quem é essa galera do lado de cá que sonha com a arte, com o cinema, com a possibilidade de ter o santo na fantasia carnavalesca? Então, é um lugar que seduz muito, uma cidade que democratiza essa possibilidade”, comentou.
Os participantes também exploraram como a cidade fluminense está transformando a folia em uma alavanca para o futuro. Um dos pontos centrais da discussão foi o potencial econômico do Carnaval, seu poder de geração de renda e, crucialmente, de distribuição. Para isso, Maricá está investindo na criação de um conjunto de ações que integram hotelaria, samba e Carnaval, visando atrair turismo e valorizar essas expressões culturais que, fora do Brasil, são frequentemente associadas ao país, junto com o futebol.
A ideia é que o desenvolvimento em torno do Carnaval na cidade não seja algo isolado. “A gente acaba fazendo o que muitos deveriam fazer, né? A gente acaba valorizando de uma forma que já deveria ter sido feita. Eu acredito que vai ser talvez uma aula para que outros possam ver”, ressaltou a empresária.
AD Júnior, diretor-geral e criador da Brad Studios, trouxe a perspectiva do evento como política pública e ferramenta de bem-estar social. “Quando Maricá se dispõe a ser uma das cidades que mais próspera no Brasil e se coloca como um hub de inovação, tecnologia, cultura, comunicação e sabedoria, é inegável que ela se torna um centro estratégico para o mundo inteiro”, afirmou.




A necessidade de uma abordagem contínua e estruturada foi comparada por ele à forma como outros países investem em suas principais expressões culturais, como a universidade dedicada à cultura, em Beijing; a escola do Bolshoi, na Rússia; a universidade Maori, na Nova Zelândia; e o investimento contínuo em Hollywood, nos EUA, com cursos e comunicação 24 horas sobre o tema. Para ele, “entender de onde viemos, como essa cultura acontece, porque ela está aqui, como eu tenho condições de fomentá-la e para onde ela caminha, de forma perene, faz pensar no poder cultural 360º.”


