IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

RIW 2025: “Humanos em Beta” provoca reflexão sobre como a tecnologia está reprogramando nossa mente e atenção

Por

·

Na manhã desta quarta-feira, 13 de agosto, o Rio Innovation Week 2025 (RIW), um dos maiores eventos de inovação e tecnologia da América Latina, abriu espaço para uma discussão que foi além de algoritmos e dispositivos: o impacto direto da transformação digital no cérebro humano e nas relações sociais.

No palco da Arena B2Mamy, a conversa intitulada “Humanos em Beta: como a tecnologia está nos reprogramando” foi conduzida por Mônica Magalhães, CEO e fundadora da Moovers, e Marcel Nobre, fundador e CEO da BetaLab.

RIW traz temática Humanos Beta
O foco do painel foi compreender como o avanço acelerado das tecnologias está não apenas remodelando negócios, mas reconfigurando como pensamos, tomamos decisões e nos conectamos uns com os outros | Foto: Rafaella Ranulfo

Tecnologia e cultura: percepções que dividem o mundo

Mônica iniciou destacando que a aceitação — ou rejeição — da tecnologia não ocorre de maneira uniforme ao redor do planeta. Segundo ela, a forma como diferentes culturas enxergam robôs e inteligência artificial está diretamente ligada à construção histórica de cada sociedade.

Como exemplo, citou o Japão, onde o envelhecimento populacional e a escassez de mão de obra levaram à integração de máquinas em atividades cotidianas. Robôs são usados para cuidar de idosos, automatizar serviços e preencher lacunas operacionais. Em contrapartida, em outras regiões, o receio de que a inteligência artificial substitua empregos ou comprometa a privacidade ainda freia sua adoção.

Atenção fragmentada: desafio para marcas e criadores

Outro ponto central do debate foi o impacto da hiperconexão na capacidade de concentração das novas gerações. Mônica compartilhou uma observação pessoal ao notar que sua filha e amigas ouviam apenas trechos curtos de músicas populares no TikTok, com duração de cerca de 15 segundos.

Segundo ela, esse comportamento revela uma atenção cada vez mais fragmentada, o que exige que marcas e criadores de conteúdo se adaptem. A comunicação precisa ser objetiva, direta e rápida para manter o interesse do público.

Especialistas em marketing já identificam essa tendência e vêm apostando em formatos curtos, dinâmicos e visuais para garantir engajamento. No entanto, esse movimento também levanta dúvidas sobre a profundidade das mensagens e a capacidade de retenção de informações a longo prazo.

O risco de viver apenas pelos dados

Durante o painel, Mônica também criticou o que chamou de “fetiche dos dados” — a ideia de que apenas propostas validadas por métricas merecem avançar. Para ela, essa lógica limita a criatividade e sufoca o espaço para experimentação.

“Perdemos a capacidade de construir no escuro, no vazio — e é justamente aí que surgem as grandes ideias”, afirmou. A executiva defendeu que a inovação exige liberdade para errar e coragem para explorar caminhos incertos, sem a pressão constante por resultados imediatos.

Outro alerta foi sobre o comportamento coletivo diante de tendências tecnológicas. Mônica citou como exemplo a adesão em massa de restaurantes ao uso exclusivo de cardápios via QR code durante e após a pandemia. Embora prático para alguns, o modelo afastou clientes menos familiarizados com tecnologia.

Segundo ela, seguir o que todos estão fazendo nem sempre é a melhor escolha. É preciso avaliar o contexto e considerar a diversidade de perfis e necessidades dos usuários.

Humanos em constante atualização

O conceito de “Humanos em Beta”, que deu nome ao painel, remete à ideia de que, assim como softwares, as pessoas também estão em constante atualização. Essa mentalidade, segundo Mônica, será essencial para o futuro.

A chave estará em equilibrar o uso das inovações com a preservação de habilidades humanas fundamentais, como empatia, pensamento crítico e criatividade. Para ela, o maior desafio não é tecnológico, mas humano: aprender a se reprogramar sem perder a essência.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade