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IA Brasil Experienc: como a IA está mudando a favela e seus empreendedores?

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Como a Inteligência Artificial pode transformar a realidade das favelas brasileiras? Essa foi a provocação central do painel “A IA está Mudando a Favela e seus Empreendedores”, realizado no IA Brasil Experience, no Anhembi Arena, em São Paulo.

A conversa reuniu Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões; Deco Montenegro, fundador da Cultura Builder e sócio da Reset Funds Asset Management; e Léo Martins, CEO do Instituto Grito, que juntos mostraram como tecnologia e propósito podem caminhar lado a lado nas periferias.

IA Brasil Experience leva as favelas para o debate de tecnologia
Promovido pela comunidade AIBRASIL.AI, o objetivo do summit é promover conexões entre pessoas, empresas e inovação | Foto: Saara Paiva/Super Finanças

“Você não combate pobreza com mais pobreza, você combate pobreza com prosperidade”, disse Edu Lyra, em um dos momentos mais marcantes da conversa. O empreendedor lembrou o público que nasceu em uma favela e que sua história pessoal é prova viva de que oportunidade e educação transformam destinos.

“Meu pai foi preso e indiciado por roubar um banco”, contou. “A piada verdadeira é que todos os bancos que tentou roubar hoje são patrocinadores da Gerando Falcões e ajudam a gente a transformar. Estamos presentes em mais de 5.000 favelas, com a missão de transformar a pobreza da favela em dignidade antes de Marte ser colonizado. É difícil, mas é possível.”

A tecnologia que democratiza

Para Deco Montenegro, a Inteligência Artificial abre caminhos inéditos para que o Brasil avance em eficiência e impacto social. “Você consegue usar os dados do Brasil a favor do Brasil, mas a ineficiência é muito grande. Se a gente aumenta a eficiência, vai pra outro patamar”, destacou.

IA Brasil Experience leva as favelas para o debate de tecnologia
O evento contou com nove palcos simultâneos, mais de 200 palestras e painéis e 126 conteúdos exclusivos| Foto: Saara Paiva/Super Finanças

Ele contou que há mais de uma década já trabalhava com IA e que, ao fundar a Cultura Builder, buscou criar uma comunidade colaborativa para democratizar o acesso à tecnologia: “A tecnologia escala, mas a IA democratiza.”

Essa parceria com a Gerando Falcões deu origem ao projeto Decolagem, que apoia às famílias das favelas. “O app antigo não funcionava bem, então decidimos reconstruir tudo com base no que aprendemos no Cultura Builder. Agora, com o Decolagem, acompanhamos famílias nas favelas e medimos seu nível de dignidade por meio de um ‘dignômetro’. O objetivo é tirar 1 milhão de pessoas da pobreza nos próximos dez anos”, explicou Edu.

“A IA não substitui o humano, ela potencializa o humano. O agente social na favela precisa de informação em tempo real pra saber se uma família tá desistindo da trilha. A tecnologia ajuda a agir na hora certa, com empatia e precisão”, complementou.

Inovação nascida na favela

Na sequência, Léo Martins, do Instituto Grito, apresentou um exemplo poderoso de inovação nascida dentro da favela. Ele criou, com um time de apenas três pessoas, o Clube Grito, o primeiro clube de vantagens com impacto social do Brasil, desenvolvido com o apoio da IA.

“O app nasceu da ideia de que as pessoas assinam Netflix, Prime Vídeo, GloboPlay… então por que não uma plataforma de impacto social?”, contou Léo.

Pelo Clube Grito, usuários podem pagar pequenas assinaturas mensais, realizar ações do bem e ganhar moedas virtuais — os “gritos” — que podem ser trocados por produtos e experiências. “Nosso objetivo é chegar a 10 mil assinantes e captar R$ 1,2 milhão por ano para reinvestir em impacto nas comunidades”, explicou.

Para Deco Montenegro, exemplos como o de Léo provam que o futuro da inovação não está apenas nos grandes centros.

“O sucesso do seu negócio pode estar a um prompt de distância”, afirmou. “Tudo que é novo assusta, mas quem abraça a inovação vai fazer a diferença. Se eu pudesse dar um conselho: não comece pelo difícil, comece pelo fácil. Aprenda, teste, erre rápido e cresça.”

O futuro que vem das bordas

Edu Lyra encerrou o painel com uma mensagem de propósito e urgência:

“O Brasil tem uma ferida aberta com a favela. A gente precisa resolver isso com oportunidade, não com repressão. A IA pode ser o motor que transforma o jovem que seguraria um fuzil em um programador. O próximo Bill Gates pode nascer numa favela brasileira”.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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