A acessibilidade é financeiramente acessível?
Considerando esse aspecto, conversamos com Marina Melo, uma criadora de conteúdo que compartilha sua rotina como uma jovem com deficiência que utiliza cadeira de rodas motorizada. Ela nos afirmou que a acessibilidade não é acessível financeiramente.
“Eu sou independente porque posso pagar por isso. Para pessoas com deficiência, a independência está diretamente relacionada ao dinheiro. Arrisco dizer que até mesmo a saúde depende das condições financeiras”, enfatiza.

Um dos principais obstáculos para a acessibilidade é o alto custo dos equipamentos especializados. Desde cadeiras de rodas motorizadas até próteses e aparelhos auditivos, esses itens essenciais podem gerar problemas financeiros e impactar diretamente no bem-estar das pessoas que necessitam daquele item.
Marina partilhou que há dez anos realizou a compra de sua cadeira elétrica, por ser adaptada de acordo com suas necessidades gastou na época aproximadamente R$ 9.000,00 e desde então, anualmente vai a São Paulo para realizar as manutenções.
“A adaptação é feita em São Paulo e o valor da manutenção é de aproximadamente R$ 1.000,00. Então além desse custo, temos o gasto de estadia por no mínimo sete dias, para três pessoas, afinal, eu preciso de dois acompanhantes”, explica a estudante de designer gráfico.
As modificações em casa também são um aspecto crucial da acessibilidade, pois além de mudanças estruturais é importante que as pessoas com deficiência tenham móveis que lhe permitam ter autonomia.
“A adaptação depende da estrutura atual e de algumas informações que variam em cada obra. Porém, os valores podem variar entre R$ 1.500 a R$ 4.000 por m². Nessa ‘cotação’ nós consideramos retirada de portas e realocações de pontos, no entanto caso tenha a necessidade de modificação de vaso sanitários ou outros pontos e ampliação de paredes, o valor pode ser ainda maior”, explica o arquiteto Daniel Amaro.
No caso de Marina, para ter mais liberdade no seu dia a dia, foi colocado em seu quarto uma mesa regulável que lhe permite trabalhar e fazer suas atividades diárias. No entanto, o custo dessas adaptações muitas vezes é proibitivo, deixando muitas famílias sem acesso a um ambiente adequado e seguro.
“Ser uma pessoa com deficiência no Brasil é muito caro. O governo poderia mudar isso de diferentes formas, uma delas seria garantir um auxílio real para PCDs e políticas para disponibilizar tecnologias assistivas (cadeiras, próteses, etc)”, ressalta a influenciadora que explica que atualmente o auxílio que a pessoa com deficiência recebe é bloqueado caso ela comece a trabalhar.


