Novos hábitos de consumo
Cassiano Elek Machado, diretor do grupo Record, ressalta que o recente crescimento representa mais do que números, sinalizando uma mudança significativa nos hábitos e nas preferências de consumo do público, apontando para novas tendências no mercado.

“Embora ainda tenhamos excelentes livrarias, isso reflete a mudança do sistema Cultura-Saraiva-FNAC para o da Amazon. Um determinado público deixou de ter contato físico com o livro. Antes as pessoas iam de ônibus só para passear na Cultura da Paulista.”
A Bienal do Livro se transforma agora em uma oportunidade para que amigos e famílias possam juntos expandir seus horizontes de leitura. De acordo com uma pesquisa realizada durante o evento, 45% dos visitantes vêm de fora da capital, com 7% deles provenientes de outros estados.
Dessa forma, não é por acaso que o foco do evento se volta cada vez mais para o público jovem que tem mais facilidade em se organizar em grupos para encontrar seus ídolos literários. A programação é cuidadosamente pensada para atrair “fandoms”, os espaços são visualmente atraentes e altamente instagramáveis, e os influenciadores digitais, por vezes, acabam se tornando uma das principais atrações.
“Não consigo parar de me surpreender com a força que o TikTok deu ao livro”, reforça Machado. “E a cultura do ‘booktok’ é do livro físico, é uma relação de colecionismo.”
Bruno Zolotar, diretor de marketing da Rocco, afirma que atualmente as editoras que apresentam crescimento mais modesto nas bienais são aquelas que investem menos no público jovem, o qual representa o futuro da base de leitores. Ele ressalta que eventos desse tipo demonstram claramente que existe uma demanda reprimida por livros.
“Hoje há bairros inteiros sem um único ponto de venda. Como pegar isso tudo e levar para a livraria da cidade?”
Contém informações publicadas na Folha de São Paulo


