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Airbnb gera boom dos aluguéis de curta duração no Rio

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O Rio de Janeiro tem vivido um crescimento exponencial no mercado de aluguéis de curta duração, impulsionado pela popularidade de plataformas como o Airbnb. Desde 2019, bairros icônicos como Ipanema e Copacabana registraram um aumento significativo nos anúncios de imóveis para aluguel de curta temporada.

O fenômeno, que inicialmente oferecia uma fonte de renda extra para proprietários, rapidamente transformou o cenário imobiliário da cidade, trazendo oportunidades e desafios tanto para a economia local quanto para moradores e autoridades.

Em 2019, Carlos Eduardo Muzy, morador de Copacabana, alugou seu apartamento no Airbnb pela primeira vez para obter uma renda extra. O que ele não esperava era que essa decisão o colocaria no centro de um mercado em expansão. Hoje, Muzy gerencia cerca de 100 imóveis e sua empresa, SuhcasaCopacabana, faturou aproximadamente R$ 5 milhões em reservas nos últimos 12 meses. Assim como ele, muitos outros empreendedores surgiram em meio ao boom dos aluguéis de curta temporada no Rio.

Dados da empresa de análise AirDNA mostram que Ipanema, por exemplo, viu um aumento de 24% no número de anúncios no Airbnb desde 2019, o que equivale a um anúncio para cada sete moradias no bairro. O fenômeno se repete em Copacabana, onde a alta de imóveis disponíveis para aluguel de curta duração também foi significativa. Esse aumento trouxe mudanças profundas para o mercado local, impactando diretamente as associações de condomínios e criando uma nova forma de concorrência para os hotéis tradicionais.

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Como o Airbnb oferece oportunidades e desafios para o mercado

O crescimento dos aluguéis de curta duração no Rio de Janeiro gerou novas oportunidades para proprietários e empresários. Além do Airbnb, Muzy e outros gestores criaram suas próprias plataformas e sites para captar clientes, oferecendo serviços semelhantes aos de hotéis, como depósito de bagagens e serviços de limpeza. Esses novos empreendedores também movimentam o mercado ao contratar equipes para cuidar da manutenção e da decoração dos imóveis, além de investirem em melhorias nas propriedades para atrair mais locatários.

Airbnb gera boom dos aluguéis de curta duração no Rio
Airbnb gera mais aluguéis temporários no Rio de Janeiro e impacta economia local. Foto: Reprodução/Canva

Contudo, o aumento no número de aluguéis de curta temporada trouxe desafios e tensões. Síndicos de prédios residenciais, especialmente em bairros turísticos, têm relatado preocupações com o aumento do fluxo de turistas e as consequências disso para a rotina dos condomínios. Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, convocou recentemente uma reunião entre síndicos e advogados para discutir os aspectos legais dos aluguéis de curta duração. Entre as principais queixas estão os incômodos causados por turistas que fazem festas em dias úteis, o aumento dos custos de manutenção e questões de segurança relacionadas ao acesso dos locatários temporários aos prédios.

Embora alguns síndicos tenham considerado proibir os aluguéis de curta duração, muitos hesitam em tomar medidas restritivas por temerem desagradar os proprietários que dependem da renda gerada por esse tipo de locação. Para Magalhães, o desafio é encontrar um equilíbrio que atenda tanto às necessidades dos moradores quanto dos proprietários.

O impacto no mercado de aluguéis de longo prazo

O boom dos aluguéis de curta temporada também afetou o mercado de aluguéis de longo prazo no Rio. Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi-Rio (sindicato do setor da habitação), destacou que a crescente demanda por imóveis para estadias temporárias dificultou a busca por aluguéis tradicionais, especialmente em bairros como Ipanema e Copacabana, onde os turistas e nômades digitais preferem se hospedar.

Em cidades como Nova York, Los Angeles e Montreal, as autoridades já impuseram restrições severas ao Airbnb e outras plataformas de aluguel de curta duração, devido ao impacto que essas locações causam no mercado imobiliário local. Schneider acredita que, em algum momento, o Brasil também seguirá esse caminho, seja por meio de novas regulamentações ou pela imposição de taxas sobre as empresas que gerenciam esses aluguéis.

“Acredito que o Estado vai intervir, assim como aconteceu em outros países”, afirmou Schneider. “No entanto, no Brasil, esses processos demoram um pouco mais para acontecer.”

Resposta do Airbnb e a busca por soluções

Em resposta às críticas, o Airbnb afirmou estar comprometido em colaborar com governos para criar políticas adequadas e práticas que promovam o turismo de maneira responsável. A empresa destacou a importância de encontrar soluções que equilibrem os interesses de todos os envolvidos e se dispôs a trabalhar com as autoridades locais para garantir que o crescimento dos aluguéis de curta duração beneficie tanto os proprietários quanto as comunidades.

A questão dos aluguéis de curta temporada no Rio de Janeiro ainda está longe de ser resolvida. Enquanto alguns veem nesse mercado uma oportunidade de negócios, outros enxergam nele uma ameaça ao equilíbrio da vida cotidiana e à acessibilidade dos aluguéis de longo prazo. Encontrar um meio-termo que contemple todas as partes será essencial para garantir que o Rio continue a atrair turistas sem comprometer a qualidade de vida dos seus moradores.

O crescimento dos aluguéis de curta duração no Rio de Janeiro é um reflexo das novas dinâmicas do mercado imobiliário global, impulsionadas por plataformas digitais como o Airbnb. Se por um lado esse fenômeno cria oportunidades econômicas e de empreendedorismo, por outro traz desafios consideráveis para as comunidades locais. A busca por uma regulamentação equilibrada será fundamental para garantir que o Rio possa continuar recebendo visitantes sem prejudicar o mercado imobiliário e a vida dos seus moradores.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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