A Nvidia e a xAI, empresas de Elon Musk, anunciaram sua adesão a um consórcio estratégico apoiado por gigantes como Microsoft, MGX e BlackRock. A iniciativa busca expandir a infraestrutura de inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos, fortalecendo a corrida global pelo domínio da tecnologia. O anúncio ocorreu na quarta-feira, 19 de março, e marca um movimento significativo no setor.
O consórcio, criado no ano passado, já havia delineado um investimento inicial superior a US$ 30 bilhões (R$ 170,4 bilhões) em projetos voltados à IA. Agora, com as novas adições, o grupo reforça sua capacidade de financiamento para data centers e infraestrutura energética essencial para sustentar aplicações avançadas, como o ChatGPT.

A Nvidia entrou no projeto pouco depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar o Stargate, uma iniciativa privada liderada por SoftBank Group, OpenAI e Oracle. Esse projeto pretende investir até US$ 500 bilhões (R$ 2,84 trilhões) em infraestrutura para inteligência artificial (IA).
Inicialmente, será aplicado US$ 100 bilhões (R$ 568 bilhões), e o restante será distribuído nos próximos quatro anos. Para acompanhar essa disputa no setor, o grupo mudou de nome para AI Infrastructure Partnership (AIP), ou Parceria de Infraestrutura de IA, e passou a incluir a “Parceiros Globais de Infraestrutura” da BlackRock.
Com o aumento da demanda por poder computacional para treinar modelos de IA e processar grandes quantidades de dados, os investimentos em data centers especializados cresceram. Para financiar esse avanço, o AIP está buscando dinheiro de investidores, empresas e donos de ativos, com o objetivo de levantar até US$ 100 bilhões (R$ 568 bilhões), incluindo empréstimos. O grupo disse que já despertou grande interesse desde sua criação em setembro, mas não divulgou quanto dinheiro arrecadou até agora.
Além de grandes empresas de tecnologia e do setor financeiro, a GE Vernova e a NextEra Energy também se juntaram ao grupo. Elas ajudarão a melhorar o fornecimento de materiais e a criar soluções energéticas eficientes para garantir eletricidade de forma sustentável aos projetos de IA. O AIP também afirmou que suas iniciativas darão preferência a parcerias com empresas dos EUA e da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Com essa movimentação, a disputa global no setor de IA se intensifica, tornando o AIP um dos principais grupos na construção da infraestrutura necessária para o avanço dessa tecnologia.
Nvidia lança novos chips, diz estar preparada para futuro da IA, mas ações recuam
A Nvidia revelou nesta terça-feira, 18 de março, uma nova linha de processadores, incluindo um modelo híbrido que combina funções de GPU e CPU. O CEO da empresa, Jensen Huang, destacou que a companhia está bem posicionada para acompanhar os avanços na inteligência artificial.
Durante a conferência anual para desenvolvedores de software da Nvidia, realizada em San Jose, Califórnia, Huang reafirmou a liderança da empresa no setor de chips para IA. A declaração veio em resposta a preocupações de investidores, após a chinesa DeepSeek demonstrar um chatbot que utiliza menos chips de IA.
No entanto, a apresentação de Huang não acalmou o mercado, e as ações da Nvidia caíram 3,4%, enquanto o índice de semicondutores registrou queda de 1,6%.
“Quase todo mundo entendeu errado”, afirmou Huang no palco, vestindo sua tradicional jaqueta de couro preta e jeans. Ele descreveu o evento como “o Super Bowl da IA”.
Segundo ele, a demanda por poder computacional devido à IA autônoma e ao raciocínio artificial é muito maior do que se imaginava no ano anterior, podendo ser até 100 vezes superior. Essa tendência reflete a transição do mercado de IA do estágio de “treinamento”, no qual grandes volumes de dados são usados para ensinar modelos, para a fase de “inferência”, quando os sistemas utilizam esse conhecimento para gerar respostas.
Grande parte do sucesso da Nvidia se deve ao investimento de uma década em ferramentas de software para atrair pesquisadores e desenvolvedores. No entanto, os chips para data centers, vendidos por valores elevados, foram responsáveis pela maior parte da receita da empresa, que somou US$ 130,5 bilhões no último ano.
Nos últimos três anos, o valor das ações da Nvidia mais do que quadruplicou, impulsionado pela popularização de sistemas avançados de IA, como ChatGPT e Claude.
O analista Ben Bajarin, da consultoria Creative Strategies, avaliou que os investidores já consideravam as novidades anunciadas nos preços das ações. Ele também observou que, embora a Nvidia reforce que sua tecnologia continuará sendo essencial para a IA no longo prazo, essa perspectiva não altera as expectativas do mercado no curto prazo.
Novos Chips
Huang anunciou uma nova geração de chips, incluindo o Blackwell Ultra, que será lançado no segundo semestre deste ano. Esse processador terá mais memória do que o atual modelo Blackwell, permitindo o suporte a modelos de IA ainda maiores.
O CEO explicou que os chips da Nvidia têm dois objetivos principais: processar respostas para um grande número de usuários e garantir que essas respostas sejam geradas com rapidez. Segundo ele, apenas os processadores da empresa conseguem cumprir essas duas funções de forma eficiente.
“Se a resposta demora muito, o usuário não volta. É como uma pesquisa na internet”, afirmou Huang.
Ele também apresentou detalhes sobre o sistema de chips Vera Rubin, que será o sucessor do Blackwell e terá maior velocidade. O lançamento está previsto para a segunda metade de 2026. Em seguida, a Nvidia pretende lançar os microprocessadores Feynman, que devem chegar ao mercado em 2028.
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