O presidente da Meta, Mark Zuckerberg, começou nesta segunda-feira, 14 de abril, a prestar depoimento no julgamento conduzido pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC). A empresa é acusada de dominar o mercado ao comprar o Instagram e o WhatsApp, supostamente para eliminar concorrentes e aumentar ainda mais sua força nas redes sociais. Esta é a primeira de duas audiências, em que Zuckerberg tenta explicar algumas das decisões mais importantes da empresa.

Segundo a FTC, essas compras foram feitas para eliminar ameaças ao Facebook, evitando disputas diretas com as outras plataformas da própria Meta. Se a Justiça aceitar as acusações, a Meta pode ser forçada a vender o Instagram e o WhatsApp, o que prejudicaria bastante seu modelo de negócios — principalmente na área de publicidade, que é sua principal fonte de lucro. A decisão também poderia mudar como as redes sociais funcionam no mundo inteiro.
Na abertura da audiência, o advogado da FTC, Daniel Matheson, disse que os consumidores não têm outras opções reais além dos serviços da Meta. Ele também questionou Zuckerberg sobre as mudanças no Facebook, destacando que a rede social foi além das conexões entre pessoas próximas e virou um espaço para vários tipos de conteúdo e entretenimento.
Com calma, Zuckerberg respondeu que, desde o início, o Facebook teve vários objetivos além de conectar amigos, e que o comportamento dos usuários mudou com o tempo. Ele admitiu que a mudança feita em 2018, que deu mais destaque às publicações de amigos, acabou não acompanhando as novas preferências dos usuários, que passaram a preferir conteúdos de interesse e conversas privadas. Segundo ele, hoje em dia, apenas 20% do que aparece no Facebook e 10% no Instagram vem de amigos dos usuários — o restante é formado por contas e páginas que mostram temas do interesse de cada pessoa.
Para a FTC, esse julgamento é uma chance de cumprir a promessa de criar regras mais claras para as empresas de tecnologia, o que pode transformar o cenário das grandes empresas do setor, tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo.


