Durante o julgamento contra o Google, que ocorre em Washington, a OpenAI demonstrou interesse em adquirir o navegador Chrome, caso a Alphabet seja obrigada pelas autoridades a se desfazer do produto. A declaração foi feita por Nick Turley, chefe de produto do ChatGPT, em audiência nesta terça-feira, 22 de abril.
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Turley testemunhou a favor do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que busca impor medidas para restaurar a competitividade no mercado de buscas online. Segundo ele, a OpenAI vê uma eventual venda do Chrome como uma oportunidade estratégica.
Disputa por espaço na inteligência artificial
A audiência também evidenciou a disputa cada vez mais intensa entre gigantes da tecnologia pelo domínio da inteligência artificial generativa. Empresas como Microsoft, Meta e a própria OpenAI estão na corrida para lançar os melhores produtos e conquistar usuários nesse novo mercado.
Turley afirmou que o ChatGPT é atualmente o principal chatbot voltado ao público consumidor, segundo uma análise interna da OpenAI apresentada no julgamento. No entanto, o executivo também declarou que o documento foi elaborado para inspirar a equipe da empresa, e não reflete necessariamente a visão estratégica mais ampla da organização.
O Google, por sua vez, rebateu as críticas destacando a existência de competição no setor de IA, apontando que não detém posição dominante nesse segmento.
Busca por parceria com o Google foi rejeitada
Ainda durante o depoimento, Turley revelou que a OpenAI procurou o Google para tentar integrar a tecnologia de busca da empresa ao ChatGPT, mas teve sua proposta recusada. A tentativa ocorreu após a OpenAI enfrentar dificuldades com seu provedor de buscas atual, o Bing, da Microsoft.
De acordo com um e-mail exibido no tribunal, a OpenAI afirmou ao Google que a inclusão da API de buscas melhoraria a qualidade do produto final. No entanto, o Google respondeu negativamente, alegando que a proposta envolveria muitos concorrentes. O contato inicial foi feito em julho e a recusa veio em agosto. “Não temos nenhuma parceria com o Google hoje”, reforçou Turley.
Segundo ele, se a proposta do Departamento de Justiça for aceita e o Google for obrigado a compartilhar dados de busca com outras empresas, isso aceleraria os avanços do ChatGPT. Hoje, a ferramenta ainda depende de fontes externas para fornecer respostas atualizadas e confiáveis. A meta da OpenAI é que, futuramente, 80% das consultas sejam respondidas com base em sua própria tecnologia.
O papel dos acordos exclusivos
Uma das principais acusações do governo é de que o Google manteve seu monopólio ao firmar acordos exclusivos com fabricantes de dispositivos, como a Samsung. Esses contratos garantiam que o mecanismo de busca do Google fosse o padrão em celulares Android recém-lançados.
Documentos apresentados no julgamento indicam que o Google chegou a considerar estender essas exclusividades para o navegador Chrome e o app de IA Gemini. No entanto, optou por flexibilizar os termos nos contratos mais recentes com Samsung, Motorola, AT&T e Verizon, permitindo que outros serviços de busca também fossem incluídos nos dispositivos.
Segundo a defesa do Google, essa flexibilização é a resposta da empresa à decisão judicial anterior, que reconheceu o monopólio da empresa no setor de buscas. No entanto, o Departamento de Justiça quer ir além, proibir os pagamentos que o Google faz para garantir a instalação preferencial do seu buscador.
Posicionamento do Google
Na última semana, o Google enviou cartas reafirmando que seus contratos não impedem a presença de outros aplicativos de inteligência artificial nos dispositivos móveis. A informação foi confirmada por Peter Fitzgerald, executivo do Google, durante depoimento nesta terça-feira.
A empresa também já informou que pretende recorrer da decisão que reconheceu seu monopólio. O julgamento atual é considerado um dos mais importantes para o setor de tecnologia nas últimas décadas, com potencial para redefinir as regras de competição online nos Estados Unidos.
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