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Tribunal questiona Zuckerberg sobre tentativa de monopólio de redes

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Mark Zuckerberg, CEO da Meta, compareceu novamente ao tribunal federal em Washington, na terça-feira, 15 de abril, para prestar depoimento sobre as aquisições do Instagram e do WhatsApp. O processo é parte de uma ação antitruste — um tipo de processo judicial que visa combater práticas empresariais que restringem a concorrência e criam monopólios — movida pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), que busca anular as compras feitas há mais de uma década.

Zuckerberg depõe no tribunal sobre monopólio das redes sociais
Segundo Zuckerberg, o único objetivo da Meta é conectar pessoas a amigos e familiares, além de se posicionar como uma plataforma para descoberta de informações e tendências globais |Foto: Reprodução/Kenny Holston/ NYT

No segundo dia de interrogatório, Zuckerberg respondeu perguntas sobre e-mails internos trocados em 2012 com David Ebersman, então diretor financeiro do Facebook. A FTC alega que a Meta realizou aquisições estratégicas para eliminar concorrência e manter um monopólio ilegal no setor de redes sociais.

Um trecho da conversa citada pela acusação mostra Zuckerberg admitindo que a compra de aplicativos como Instagram e Path tinha, entre outras motivações, a intenção de “neutralizar um concorrente”. “O que estamos realmente comprando é tempo”, escreveu ele. “Mesmo que surja algum novo concorrente, comprar o Instagram, Path, Foursquare etc. agora nos dará um ano ou mais para integrar suas dinâmicas antes que alguém possa chegar perto de sua escala novamente.”

FTC aponta intenção de eliminar concorrência com aquisições

Durante o depoimento, o advogado da FTC, Daniel Matheson, confrontou Zuckerberg com o argumento de que a Meta não conseguiu superar o Instagram com um produto próprio e, por isso, optou pela compra. O CEO foi questionado sobre um e-mail de 2011, onde demonstrava preocupação com o crescimento do Instagram e sua capacidade de adicionar recursos semelhantes aos do Facebook.

Zuckerberg respondeu que os debates internos envolviam tanto questões de funcionalidade quanto de escala e tempo. “Eu li isso como uma conversa sobre incorporar a funcionalidade e ficar à frente em termos de qualidade. Mas a escala é um aspecto disso e o tempo é um aspecto disso”, explicou.

Outro e-mail, datado de novembro de 2012, foi apresentado ao tribunal. Nele, Zuckerberg afirma que o Instagram crescia tão rapidamente que o Facebook teve de comprá-lo por US$ 1 bilhão (R$ 5,89 bilhões). Em resposta a Matheson, Zuckerberg reconheceu que talvez fosse melhor ter desenvolvido um serviço semelhante internamente, mas admitiu que “US$ 1 bilhão é muito caro”.

Preocupação com rivais e dominação do mercado de mensagens

Além do Instagram, o tribunal também analisou os motivos da compra do WhatsApp. A FTC argumenta que a Meta agiu para dominar o setor de mensagens privadas, outro segmento em ascensão no ecossistema das redes sociais.

Zuckerberg foi confrontado com um e-mail de 2013 em que reconhecia ter bloqueado publicidade no Facebook para aplicativos como WeChat, Kakao e Line. Ele justificou, na época, que essas plataformas “estavam tentando criar redes sociais para nos substituir”.

Em outra troca de mensagens com a diretoria do Facebook, Zuckerberg expressou preocupação com o crescimento de concorrentes asiáticos, como a chinesa Tencent. Ele alertou sobre a possibilidade de esses rivais entrarem no mercado global e até mesmo adquirirem o WhatsApp. “As mensagens são o próximo maior risco e oportunidade para o consumidor”, escreveu.

Meta diz enfrentar concorrência diversificada

Apesar das acusações da FTC, a Meta sustenta que o mercado de redes sociais é altamente competitivo. Durante o julgamento, os advogados da empresa argumentaram que, além de Instagram e Facebook, há diversos outros concorrentes relevantes, como TikTok, YouTube e iMessage.

Zuckerberg reiterou essa defesa em seu depoimento. Segundo ele, a Meta continua focada em conectar pessoas a amigos e familiares, mas também se posiciona como uma plataforma para descoberta de informações e tendências globais. “Sempre fomos um serviço que permite que você descubra e aprenda sobre o que está acontecendo no mundo”, declarou.

O caso continua sendo acompanhado de perto por especialistas em tecnologia e direito concorrencial. Se a FTC tiver sucesso, a Meta poderá ser forçada a se desfazer das plataformas adquiridas – algo sem precedentes na história recente das gigantes da tecnologia. O resultado do processo pode redesenhar os limites do poder corporativo no universo digital.

Leia também: Zuckerberg pode ter que vender Instagram e WhatsApp: entenda

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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