Os entraves à competitividade digital
Para entender as razões por trás da baixa posição do Brasil no ranking, é necessário olhar para cinco pilares centrais destacados pela pesquisa:
1. Custo de capital e dívida corporativa
Com juros altos e burocracia no acesso ao crédito, o Brasil amarga a 68ª colocação nesse critério. A dívida corporativa é elevada, o que limita a capacidade de investimento das empresas. O Banco Central, por exemplo, mantém a taxa Selic em 10,25% ao ano (dados de junho de 2025), o que encarece os empréstimos e desestimula a expansão dos negócios.
2. Educação e habilidades linguísticas
O país também ocupa a 68ª posição em proficiência em idiomas e qualidade da educação. Segundo o relatório do Pisa 2022 (OCDE), o Brasil teve uma média de 379 pontos em leitura, enquanto a média dos países desenvolvidos é de 487 pontos. Isso reflete a dificuldade de formar uma força de trabalho capacitada e fluente em línguas estrangeiras — algo essencial para negócios digitais e inserção internacional.
3. Mão de obra qualificada e produtividade
Outro problema grave é a escassez de profissionais qualificados e a baixa produtividade. De acordo com dados do IBGE, a produtividade do trabalhador brasileiro cresceu apenas 0,5% em 2024, enquanto países da OCDE tiveram aumentos superiores a 2%. A falta de políticas públicas de requalificação profissional e de parcerias entre o setor privado e o público agrava esse cenário.
4. Abertura econômica e comércio exterior
Embora o Brasil tenha apresentado avanço em investimentos estrangeiros diretos em 2024 — foram US$ 60 bilhões, segundo o Banco Central (cerca de R$ 324 bilhões no câmbio médio de R$ 5,40) —, o país ainda mantém barreiras tarifárias significativas e baixa participação no comércio internacional. Em exportações de serviços, por exemplo, ocupa apenas a 62ª posição.
5. Ambiente regulatório
Com um sistema tributário complexo e instável, o Brasil ficou com a 68ª posição em protecionismo e a 67ª em finanças públicas. O custo Brasil, estimado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), reduz a competitividade da economia em R$ 1,5 trilhão por ano, impactando diretamente o ambiente de negócios.


