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“Baby Bebetinho” conquista a internet e amplia debate sobre IA

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Depois da febre causada pela personagem Marisa Maiô, uma nova figura digital gerada por inteligência artificial está chamando atenção nas redes sociais. É o Baby Bebetinho, um “bebê virtual” que, em apenas três dias de existência, já ultrapassou 100 mil seguidores no Instagram. Com vídeos curtos e bem-humorados, o perfil tem despertado curiosidade e engajamento, mas também reacende debates sobre os impactos sociais e emocionais do avanço acelerado das IAs.

A conta, criada no início de agosto de 2025, compartilha situações cotidianas da rotina de um bebê, com falas que simulam os pensamentos infantis de forma cômica. Em um dos vídeos, o personagem diz: “Mamãe não me deu banana hoje. Tô triste. Mas também, ela não sabe que meu humor depende de banana!”. A humanização exagerada, o tom carismático e a dublagem bem sincronizada são marcas do perfil, que tem atraído não só pais e mães, mas também um público jovem e curioso pelas inovações digitais.

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Baby Bebetinho, personagem criado por inteligência artificial, acumula mais de 100 mil seguidores em poucos dias e gera debate sobre limites da tecnologia nas redes sociais| Foto: Reprodução/Instagram
Baby Bebetinho, personagem criado por inteligência artificial, acumula mais de 100 mil seguidores em poucos dias e gera debate sobre limites da tecnologia nas redes sociais| Foto: Reprodução/Instagram

O fenômeno dos influenciadores artificiais, como o Baby Bebetinho

Perfis criados com o auxílio de inteligência artificial estão se tornando cada vez mais comuns nas redes sociais. O Baby Bebetinho segue a mesma linha da Marisa Maiô, personagem que viralizou em 2024 ao representar uma mulher “realista e exagerada” com frases marcantes e aparência construída por IA. Ambas as criações se baseiam em softwares que utilizam machine learning, voz sintética e algoritmos de linguagem para gerar falas e comportamentos que se aproximam dos humanos.

Segundo dados do relatório “State of Influencer Marketing 2025” da Influencer Marketing Hub, influenciadores digitais gerados por IA movimentaram cerca de US$ 960 milhões no mundo até julho deste ano, o equivalente a mais de R$ 5 bilhões. No Brasil, empresas como a Magalu e a Natura já testaram campanhas com personagens virtuais ou avatares automatizados.

O objetivo dessas criações, muitas vezes, é gerar identificação e viralizar com conteúdo leve, acessível e divertido. Mas a questão vai além do entretenimento.

Limites éticos e impactos no bem-estar

O crescimento desses perfis levanta preocupações sobre os limites do uso de tecnologias que imitam emoções e comportamentos humanos. Especialistas em psicologia e sociologia alertam que o consumo recorrente de conteúdo artificial pode influenciar negativamente o bem-estar, sobretudo entre crianças e adolescentes, público mais suscetível a criar vínculos com personagens digitais.

Em entrevista à BBC News Brasil em julho de 2024, a pesquisadora Fernanda Capanema, do Instituto de Psicologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), destacou que “a criação de personagens realistas, mesmo que declaradamente virtuais, pode reforçar estereótipos e gerar frustrações em quem consome esse conteúdo de forma repetitiva”.

Além disso, há riscos ligados à desinformação. Perfis de IA que se passam por humanos — ainda que de forma cômica ou lúdica — podem confundir usuários e dificultar a identificação do que é verdadeiro ou fictício no ambiente digital.

A Meta, empresa responsável pelo Instagram, afirma que já trabalha com políticas para identificar e sinalizar conteúdos gerados por IA, mas o controle nem sempre é eficaz. Enquanto isso, criadores continuam explorando esse novo território de influência e engajamento.

Especialista alerta para riscos à autoestima e ao bem-estar digital

Para compreender melhor os possíveis efeitos do Baby Bebetinho e de outras figuras digitais no bem-estar emocional dos usuários, especialmente do público mais jovem, conversamos com Rodrigo de Aquino, especialista em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Segundo ele, a exposição contínua a personagens como o Baby Bebetinho pode intensificar sentimentos de inadequação e comprometer a autoestima, especialmente entre crianças e adolescentes.

Outro ponto levantado por Aquino é a necessidade de refletir sobre os limites éticos no desenvolvimento de perfis de IA com forte apelo emocional. Para o especialista, criar personagens digitais emocionalmente apelativos não é, por si só, um problema, mas se torna delicado quando há manipulação emocional do público, especialmente dos mais vulneráveis. Segundo ele, é essencial que os criadores sejam transparentes quanto à natureza artificial do conteúdo e sigam princípios éticos semelhantes aos aplicados em outras áreas de alto impacto, como a medicina ou o trânsito.

O consumo consciente de conteúdo gerado por inteligência artificial, de acordo com Aquino, passa por dois pilares: a clareza, por parte dos produtores, sobre a origem do material e a educação midiática dos usuários. “Num país com alto índice de analfabetismo funcional, essa distinção se torna ainda mais difícil. Por isso, a responsabilidade recai ainda mais sobre os criadores, plataformas e reguladores para garantir um ambiente informativo e seguro”, pontua.

Ele também chama atenção para a criação de vínculos afetivos com personagens artificiais e os impactos disso na saúde mental. “Quando o usuário cria vínculos afetivos com personagens de IA — muitas vezes projetados para serem cativantes, perfeitos e emocionalmente acessíveis — pode ocorrer uma distorção da realidade afetiva, prejudicando relacionamentos reais e a percepção de si mesmo. Esses vínculos podem gerar dependência emocional, isolamento e reforçar a busca por validação externa em ambientes virtuais”, conclui.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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