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1 a cada 5 pessoas no Brasil foram vítimas de golpes digitais

Mais de 32 milhões de brasileiros foram vítimas de ameaças e chantagens feitas por criminosos que usaram dados pessoais ou de familiares para pedir dinheiro nos últimos 12 meses em golpes digitais. Esse número corresponde a quase uma em cada cinco pessoas (19,1%) com 16 anos ou mais no país.

O prejuízo total causado por esse tipo de crime chega a R$ 24,2 bilhões. Os dados mostram que, enquanto os roubos nas ruas diminuem, os golpes pela internet e por telefone estão crescendo em grande velocidade. As informações fazem parte da Pesquisa de Vitimização e Percepção da Segurança Pública no Brasil, realizada pelo instituto Datafolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Estatísticas sobre golpes digitais
O estudo ouviu 2.007 pessoas em 130 cidades, entre os dias 2 e 6 de junho de 2025, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos | Foto: Reprodução / Canva

Conforme a pesquisa, a cada hora, cerca de 5.300 pessoas recebem algum tipo de ligação ou mensagem fraudulenta. No total, 46,4 milhões de brasileiros relataram contatos falsos, especialmente de criminosos se passando por centrais de segurança de bancos ou empresas.

Roubos diminuem, mas golpes digitais crescem

Apesar da redução nos roubos, quem teve o celular levado por criminosos tem até quatro vezes mais chance de sofrer golpes. O celular concentra funções essenciais da vida cotidiana, como acesso a bancos, redes sociais e aplicativos de mensagens, o que aumenta os riscos.

Segundo o levantamento, 11% da população foi vítima de roubo no último ano. Em um quarto desses casos, houve uso de arma de fogo. Além disso, 9,3% relataram que tiveram o celular roubado ou furtado.

O prejuízo financeiro médio de cada vítima de roubo foi estimado em R$ 1.700. Somando todos os casos, as perdas chegaram a R$ 26,7 bilhões.

Enquanto isso, os estelionatos, nome dado aos golpes financeiros, cresceram de forma acelerada. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 2,16 milhões de ocorrências desse tipo em 2024, o que equivale a 247 golpes por hora. Entre os mais comuns estão os golpes do Pix e de boletos falsos.

O levantamento também indica que 11,4% da população adulta, aproximadamente 19,2 milhões de pessoas, foram vítimas de crimes em que golpistas se passaram por elas para enganar outras pessoas. Além disso, 7% tiveram perfis bloqueados em redes sociais ou aplicativos de mensagem.

Pessoas com maior renda são mais visadas

A pesquisa revela que criminosos escolhem as vítimas de acordo com a renda. Entre as classes sociais mais altas (A e B), 27,6% relataram ter sido alvo de golpes. Já entre as classes mais baixas (C, D e E), o índice foi de 16,4%.

O acesso ilegal a bancos de dados vazados é apontado como o principal motivo dessa seleção. Antes, informações pessoais eram vendidas em mídias físicas. Hoje, podem ser alugadas pela internet, inclusive com uso de moedas virtuais como o bitcoin.

Grupos criminosos organizados, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, estariam entre os que utilizam esses dados para ampliar ganhos com golpes digitais e também para práticas de lavagem de dinheiro, que é quando recursos de origem ilegal são disfarçados para parecerem lícitos.

O levantamento aponta ainda que 12,3 milhões de pessoas tiveram seus dados pessoais vazados em 12 meses, o equivalente a 7,3% da população.

Especialistas destacam que o Estado brasileiro ainda não possui estrutura suficiente para enfrentar essa realidade. Faltam equipamentos, leis mais específicas e maior cooperação entre União, estados e municípios para combater os golpes digitais e o vazamento de informações. A pesquisa reforça que a população precisa estar atenta a mensagens suspeitas, evitar clicar em links desconhecidos e manter senhas sempre atualizadas.

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