O setor de saúde está passando por uma transformação com o uso crescente da inteligência artificial (IA) no desenvolvimento de novos medicamentos. Empresas de biotecnologia, farmacêuticas e companhias de pesquisa contratadas vêm incorporando softwares de modelagem computacional para prever a segurança e a eficácia de substâncias, reduzindo a necessidade de testes em animais.
Segundo reportagem da Reuters, publicada nesta terça-feira, 2 de setembro, essa mudança ocorre em sintonia com o direcionamento da Food and Drug Administration (FDA – Administração de Alimentos e Medicamentos), agência reguladora dos Estados Unidos, que pressiona a indústria a diminuir a dependência de animais em testes pré-clínicos.
O desenvolvimento de um medicamento tradicionalmente leva até 15 anos e pode custar cerca de US$ 2 bilhões (aproximadamente R$ 10,8 bilhões, na cotação de R$ 5,41 por dólar), segundo estimativas de analistas da TD Cowen, divisão de investimentos do TD Bank, e da Jefferies, banco de investimento americano.
Com a adoção de IA e metodologias alternativas, esse prazo pode cair pela metade. A empresa Recursion Pharmaceuticals, por exemplo, levou apenas 18 meses para levar uma molécula a testes clínicos de câncer, frente à média de 42 meses da indústria.
O presidente da divisão de desenvolvimento de medicamentos da Certara, Patrick Smith, afirmou à Reuters que a tecnologia está próxima de tornar dispensáveis os testes em animais em alguns estágios. A Certara já utiliza IA para prever a absorção e distribuição de medicamentos experimentais, além de possíveis efeitos colaterais.
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