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Vazamento de 183 milhões de logins inclui contas Gmail; saiba verificar e se proteger

Um grande vazamento de dados foi descoberto na internet e deixou milhões de pessoas em alerta. Mais de 183 milhões de logins e senhas foram encontrados em fóruns e redes usadas por hackers. O material inclui diversas contas do Gmail, o serviço de e-mail do Google.

Vazamento de senhas afeta 183 milhões de logins
Esses dados foram encontrados em fóruns, grupos de Telegram, redes sociais e até na dark web, que é a parte escondida da internet onde ocorrem atividades ilegais | Foto: Reprodução / Canva

O caso não teve origem em uma invasão direta ao Gmail, mas sim em uma coleta de informações feita por vírus e programas maliciosos que se espalham pela internet. Mesmo assim, os riscos são sérios, e é essencial entender o que aconteceu e como se proteger.

O que aconteceu?

Pesquisadores de segurança digital identificaram uma grande base de dados com informações de login de várias fontes diferentes. O material foi reunido pelo pesquisador Benjamin Brundage, da empresa Synthient, que organizou 3,5 terabytes de arquivos contendo milhões de e-mails e senhas.

Diferente do que muitos imaginam, as informações não foram roubadas diretamente das empresas, como Google, Microsoft ou outros serviços. Elas foram obtidas por um tipo de vírus chamado infostealer (em português, “ladrão de informações”).

O que são infostealers?

Os infostealers são programas criados por criminosos para roubar dados pessoais de computadores e celulares infectados. Eles funcionam de forma silenciosa, sem que o usuário perceba. Esses vírus conseguem capturar:

  • Sites visitados;
  • Logins e senhas usados;
  • Cookies e dados de navegação.

Ou seja, se a pessoa acessa o Gmail num computador contaminado, o vírus registra o endereço do site (gmail.com), o e-mail e a senha usados no login. Depois, tudo é enviado para os criminosos, que vendem essas informações em fóruns na internet.

Esses programas chegam aos aparelhos de várias maneiras:

  • Downloads de softwares piratas;
  • Anexos maliciosos em e-mails falsos;
  • Links enganosos em redes sociais;
  • Sites de downloads que oferecem jogos ou aplicativos “gratuitos”.

Mesmo quem toma cuidados pode acabar sendo vítima, caso use um dispositivo sem antivírus ou desatualizado.

Devo me preocupar?

Sim. Embora parte dos dados vazados já tenha aparecido em incidentes antigos, há milhões de senhas novas. Isso significa que criminosos podem tentar usar essas informações para invadir contas, especialmente se você repete a mesma senha em vários sites.

O Google afirmou que o problema não é exclusivo do Gmail e que esse tipo de vazamento acontece com frequência. Segundo a empresa, o que ocorre é uma atualização constante de bancos de dados de credenciais roubadas.

Em outras palavras: não foi um ataque direto contra o Google, mas sim a soma de informações obtidas em diversos golpes e vazamentos anteriores. Ainda assim, as credenciais podem ser exploradas por quem busca lucros fáceis na internet.

O cenário dos ataques no Brasil

O Brasil também vive um momento delicado na área de segurança digital. Segundo o Panorama Nacional de Segurança Cibernética 2025, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Resposta a Incidentes Cibernéticos, já foram registradas 464 bilhões de tentativas de ataques no país. A previsão é de 509 bilhões até o fim do ano.

Entre os principais tipos de ataque estão:

  • DDoS, que derrubam sites e sistemas (487 mil ocorrências);
  • Phishing, que tenta enganar o usuário com mensagens falsas (1.892 casos).

A tendência é de crescimento, com 533 mil ataques DDoS e 2 mil tentativas de phishing projetadas para o próximo ano. Hoje, a média é de 3.597 ataques por semana em todo o território nacional.

Como saber se seus dados foram expostos?

Você pode verificar se seu e-mail ou senha estão entre os vazados. Para isso, acesse o site Have I Been Pwned. Lá é possível digitar seu endereço de e-mail e ver se ele aparece em algum vazamento conhecido. O site também permite checar senhas (clicando na aba Passwords). Essa base já foi atualizada com as informações desse novo vazamento de 183 milhões de logins, além de outros antigos.

Se seu endereço ou senha aparecerem no site, mude a senha imediatamente. Além disso, existem algumas orientações para se prevenir de problemas:

  • Crie uma senha forte: use letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos. Evite combinações óbvias como “123456” ou datas de aniversário;
  • Não repita senhas: use uma senha diferente para cada serviço (e-mail, banco, redes sociais, etc.);
  • Ative a verificação em duas etapas (2FA): no caso do Gmail, vá até myaccount.google.com/security. Assim, mesmo que alguém descubra sua senha, o invasor precisará de um código extra para acessar sua conta;
  • Use um antivírus confiável: ele ajuda a detectar programas maliciosos, inclusive os infostealers;
  • Desconfie de links e anexos: não abra mensagens de origem desconhecida e evite clicar em links que prometem prêmios, sorteios ou promoções muito vantajosas;
  • Evite programas piratas: além de ilegais, eles são uma das principais portas de entrada para vírus.

Segurança digital é proteção financeira

Hoje, proteger suas contas online é também proteger o seu dinheiro. Muitos golpes começam com um simples vazamento de senha e terminam com invasões a contas bancárias, aplicativos de crédito e carteiras digitais.

Por isso, ter cuidados básicos com sua segurança digital é tão importante quanto guardar bem o cartão do banco. Atualize seus dispositivos, use senhas seguras e verifique com frequência se suas informações foram expostas.

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