O que antes parecia cena de filme de ficção científica começa a se tornar realidade. Os robôs humanoides, máquinas com aparência e comportamento semelhantes aos humanos, estão ganhando espaço nas indústrias, no varejo e até em serviços de atendimento. Em 2024, o mercado global de robôs humanoides foi avaliado em US$ 1,8 bilhão, o equivalente à cerca de R$ 9,6 bilhões, segundo levantamento da consultoria MarketsandMarkets.
A expectativa é de que o setor alcance US$ 13,8 bilhões (R$ 73,6 bilhões) até 2030, impulsionado por investimentos de gigantes como Tesla, Figure AI, Agility Robotics e Boston Dynamics. Esses robôs prometem desempenhar tarefas repetitivas, perigosas ou que exigem precisão, abrindo espaço para uma nova revolução na produtividade.
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Gigantes da tecnologia apostam alto
Empresas de tecnologia estão apostando pesado em modelos com design mais realista e habilidades de interação. A Tesla, por exemplo, apresentou o Optimus Gen 2, um robô capaz de andar, reconhecer objetos e até realizar movimentos delicados com as mãos.
A Figure AI, startup norte-americana apoiada pela Microsoft e pela OpenAI, levantou US$ 675 milhões (R$ 3,6 bilhões) em investimentos neste ano para desenvolver robôs humanoides voltados à indústria.
Já a Agility Robotics, dos Estados Unidos, inaugurou em 2024 a primeira fábrica dedicada exclusivamente à produção desse tipo de máquina. A planta tem capacidade para fabricar 10 mil unidades por ano, com preços estimados entre US$ 70 mil e US$ 200 mil, valores equivalentes a R$ 370 mil a R$ 1,06 milhão.
Segundo especialistas, esses avanços marcam o início de uma corrida global pelo domínio do setor, semelhante ao que ocorreu com os smartphones há duas décadas.
O impacto no mercado de trabalho
A chegada dos robôs humanoides desperta entusiasmo, mas também preocupação. Um relatório da Goldman Sachs estima que o mercado de robótica, somando todos os tipos de robôs, pode movimentar US$ 150 bilhões (R$ 800 bilhões) até 2035. No entanto, parte desses avanços pode substituir funções operacionais em fábricas, depósitos e comércios.
O economista Rafael Schiozer, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que, embora os robôs possam eliminar alguns postos, também devem criar novas oportunidades ligadas à programação, manutenção e supervisão de sistemas autônomos. “É um movimento parecido com o que vimos com a automação industrial. No início há perda de vagas operacionais, mas o saldo tende a ser positivo quando há requalificação profissional”, afirma o especialista em entrevista a Forbes.
No Brasil, grandes empresas já testam o uso de robôs colaborativos, chamados de cobots, em linhas de montagem. A tendência é que a evolução para humanoides aconteça de forma gradual, conforme o custo diminui e o acesso à tecnologia se amplia.
O desafio do custo e da adaptação
Apesar dos avanços, o alto custo ainda é o principal obstáculo. Modelos mais sofisticados podem ultrapassar o valor de R$ 1 milhão, inviabilizando o uso em larga escala por pequenas empresas. Além disso, há desafios regulatórios e éticos relacionados à privacidade e segurança de dados, especialmente em tarefas que envolvem interação direta com pessoas.
Segundo o relatório “The State of Humanoid Robotics 2025”, da consultoria IDTechEx, o preço dos robôs deve cair à medida que a produção em massa se consolida. A redução do custo dos sensores, baterias e chips de inteligência artificial deve tornar os robôs mais acessíveis até o fim da década.
Enquanto isso, governos e universidades de países como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos aceleram pesquisas para garantir que o uso dessas máquinas seja seguro e complementar ao trabalho humano.
Um novo capítulo da automação
Com o avanço da inteligência artificial, os robôs humanoides deixam de ser uma curiosidade tecnológica e se tornam parte da conversa sobre o futuro do emprego e da economia global. Especialistas apontam que o ritmo de inovação será determinante para definir o papel dessas máquinas nos próximos anos e o quanto elas poderão contribuir para aumentar a eficiência de setores produtivos.