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Brasil cria 148,9 mil empregos com carteira em maio

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O mercado de trabalho brasileiro manteve ritmo positivo em maio de 2025. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, o país abriu 148.992 vagas formais de empregos no mês, ou seja, com carteira assinada. O número, apesar de menor do que o saldo de abril, quando foram criadas mais de 257 mil vagas, ainda é o melhor resultado para o mês de maio desde 2023.

Esse saldo representa a diferença entre 2.256.225 admissões e 2.107.233 desligamentos registrados em todo o Brasil. Em relação ao mesmo mês de 2024, houve um crescimento de 6,76% na geração de postos com carteira assinada — um sinal de que o mercado, mesmo com altos juros, segue ativo e gerando oportunidades.

Geração de empregos com carteira em maio de 2025
Brasil teve mais abertura de vagas do que demissões de janeiro a maio, com 1.051.244 empregos criados | Foto: Reprodução / Canva

No recorte de 12 meses, o Brasil acumula o saldo é de 1.628.644 vagas — número que indica um mercado formal ainda em crescimento, mesmo com sinais de desaceleração no segundo trimestre.

Segundo o Ministério do Trabalho, a melhora na empregabilidade tem relação com a retomada da atividade econômica em setores como serviços e construção, além do bom desempenho da agropecuária em algumas regiões do país. Também contribuem políticas públicas voltadas à inserção de jovens e à formalização de pequenos negócios.

Setores com melhor desempenho

Todos os cinco principais setores econômicos registraram saldos positivos em maio. O destaque foi o setor de serviços, com 70.139 novas vagas, puxado principalmente pelas áreas de saúde, educação, tecnologia da informação, transporte e atividades administrativas.

O comércio também teve bom desempenho, com 23.258 vagas criadas, especialmente no varejo, que segue contratando mesmo com os juros altos que afetam o consumo. Na sequência, aparece a indústria, com 21.569 postos abertos, sendo a maioria concentrada na indústria de transformação, responsável por processar produtos como alimentos, roupas e itens eletrônicos.

A construção civil, tradicional geradora de empregos, abriu 16.678 vagas, mesmo com o aumento no custo de materiais e crédito mais caro para o setor. Já a agropecuária adicionou 17.348 empregos, influenciada pela safra de cana-de-açúcar, colheita de grãos e bom desempenho nas exportações agrícolas.

Esses números mostram que, apesar do cenário de juros altos, as empresas continuam contratando, ainda que de forma mais seletiva. Os dados também revelam que a formalização segue em ritmo melhor do que o esperado, o que é positivo para a economia como um todo, já que empregos formais garantem direitos trabalhistas e maior estabilidade para os trabalhadores.

Jovens lideram novas contratações

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, destacou que a maioria das novas contratações foi de jovens. Segundo ele, 98 mil dos novos empregos foram ocupados por pessoas entre 18 e 24 anos, e outros 26,3 mil por menores de 17 anos. Esse movimento, segundo o ministro, contraria a ideia de que os jovens rejeitam o mercado formal.

A inclusão de jovens no mercado com carteira assinada pode estar relacionada a programas de estágio, aprendizagem e ao início do ciclo de contratações sazonais. Muitas empresas aproveitam esse período para ampliar suas equipes com trabalhadores em início de carreira, que geralmente têm salários mais baixos e disposição para capacitação.

A demanda por perfis mais jovens também pode ser explicada pela necessidade de adaptação tecnológica das empresas, já que boa parte dos jovens tem mais familiaridade com ferramentas digitais. Além disso, a contratação de aprendizes e estagiários garante incentivos fiscais para os empregadores, o que também favorece esse perfil de mão de obra.

Salário de admissão recua e juros seguem altos

O salário médio de admissão caiu em maio. O valor pago aos novos contratados foi de R$ 2.248,71, cerca de R$ 10,98 a menos do que em abril. Já o salário médio dos desligados também teve redução, ficando em R$ 2.330,43. Esse recuo pode refletir tanto o tipo de vagas ofertadas quanto o perfil dos trabalhadores contratados, que, na maioria, estão em início de carreira ou atuam em áreas de menor qualificação.

Mesmo com o avanço no número de vagas, a taxa básica de juros, a Selic, continua elevada — atualmente em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. Essa taxa impacta diretamente o custo do crédito e o ritmo de investimento das empresas. O governo tem feito críticas ao Banco Central, alegando que os juros altos dificultam a recuperação da economia e a expansão do mercado de trabalho.

No recorte regional, o Rio Grande do Sul foi a única unidade da federação a registrar saldo negativo no mês, com 115 vagas a menos, reflexo direto das enchentes que atingiram o estado e comprometeram temporariamente a atividade econômica local. Já os estados com maior criação de postos formais foram São Paulo (33.313 vagas), Minas Gerais (20.287) e Rio de Janeiro (13.642).

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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