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Terras indígenas enfrentam maiores desafios de alfabetização e condições precárias de moradia

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A população indígena no Brasil, especialmente aqueles que vivem em terras originárias, enfrenta grandes desafios em relação à alfabetização e às condições de moradia, conforme aponta o suplemento do Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com uma taxa de analfabetismo mais que o dobro da média nacional e a maioria vivendo em habitações inadequadas, esses dados reforçam a precariedade e a vulnerabilidade dessa população.

O levantamento do Censo apurou informações de 1.694.836 pessoas que se autodeclaram indígenas, das quais 622.844 residem em terras indígenas (TIs) e 1.071.992 fora desses territórios. A autodeclaração foi o critério utilizado pelo IBGE para definir quem é considerado indígena, ou seja, a pessoa se reconhece como tal, conforme explica Marta Antunes, coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais.

Analfabetismo alarmante nas terras indígenas

Crianças nos arredores da Casa de Saúde do Índio, que presta acolhimento aos indígenas. - Foto Fernando Frazão/Agência Brasil
Crianças nos arredores da Casa de Saúde do Índio, que presta acolhimento. – Foto: Reprodução/ Fernando Frazão/Agência Brasil

Um dos dados mais preocupantes levantados pelo Censo é a taxa de analfabetismo entre a população indígena. Enquanto a média nacional de analfabetismo é de 7%, entre os povos originários o índice sobe para 15,05%. Nas TI, esse número é ainda mais alarmante, chegando a 20,80%, o que representa que um em cada cinco moradores de TIs não sabe ler nem escrever.

Esse quadro se agrava com o aumento da idade: entre os jovens de 15 a 17 anos, a taxa de analfabetismo é de 5,55%, mas entre os indígenas com 65 anos ou mais, o índice alcança 42,88%. Para aqueles que vivem em TIs, a situação é ainda mais crítica, com 67,90% dos idosos sendo analfabetos.

Outro fator que merece destaque é a disparidade regional. Nas regiões Norte e Nordeste, as taxas de analfabetismo entre os indígenas são superiores à média nacional para essa população, com 15,27% e 18%, respectivamente. Já nas terras indígenas dessas regiões, a situação piora, com 23,01% de analfabetismo no Norte e 23,74% no Nordeste.

Condições precárias de moradia

Além do desafio educacional, o Censo também revelou dados preocupantes sobre as condições de moradia dos povos originários. Dos 72,4 milhões de domicílios contabilizados no Brasil, 630.428 possuem ao menos um morador indígena. No entanto, a grande maioria dessas habitações (91,93%) são casas, sendo que uma pequena porcentagem (8,15%) nas terras indígenas é composta por habitações tradicionais sem paredes ou malocas.

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A pesquisa mostrou que a maior parte dos povos que vive em terras demarcadas enfrenta sérios problemas de infraestrutura básica. Apenas 30,76% das habitações nas TIs possuem abastecimento de água dentro de casa, um índice muito inferior à média nacional de 93,97%.

Outro dado que reflete a precariedade dessas moradias é a falta de saneamento básico. Entre os domicílios indígenas em TIs, 18,46% não possuem sanitário, enquanto na média da população geral esse número é de apenas 0,5%. O esgotamento sanitário também é um problema grave: 85,42% dos indígenas que vivem em TIs têm esgoto despejado de forma inadequada, seja por fossa rudimentar ou diretamente em rios, córregos e valas.

A destinação do lixo é outro ponto crítico. Enquanto cerca de 90% dos brasileiros contam com coleta de lixo regular, apenas 55,27% dos indígenas têm acesso a esse serviço. Nas TIs, esse número é ainda mais baixo, com apenas 13,78% das habitações sendo atendidas pela coleta de lixo.

Vulnerabilidade dos indígenas em terras demarcadas

O estudo do IBGE também destaca que nas terras indígenas a vulnerabilidade é ainda mais evidente. Mais de 95% dos moradores de TIs convivem com pelo menos uma forma de inadequação nas condições de moradia, seja em relação ao abastecimento de água, esgotamento sanitário ou destinação do lixo. Ao combinar essas três formas de inadequação, o IBGE identificou que 62,23% dos moradores de terras indígenas sofrem com todas essas precariedades.

Esses dados demonstram uma situação de extrema vulnerabilidade dos povos indígenas, especialmente os que vivem em territórios demarcados, que enfrentam múltiplas barreiras para o acesso a direitos básicos como educação, saúde e infraestrutura adequada.

Registro de nascimento: um direito ainda negado

Além das questões de moradia e educação, o Censo 2022 também abordou a questão do registro de nascimento entre a população indígena. Embora 89,12% possuam registro em cartório, essa proporção cai para 85,53% nas TIs. Entre os que não são registrados, 5,06% vivem fora das terras indígenas e 8,34% dentro delas.

O registro de nascimento é fundamental para garantir o acesso a uma série de direitos civis e sociais, e a ausência desse documento reflete a exclusão que muitos povos ainda enfrentam, mesmo com o avanço de políticas públicas voltadas para essa população.

Os dados revelados pelo Censo 2022 mostram um retrato preocupante das condições de vida da população originária no Brasil. O analfabetismo e as condições precárias de moradia são desafios urgentes que precisam de atenção por parte dos gestores públicos. Além disso, a falta de registro de nascimento para muitos indígenas é outro obstáculo que impede o acesso a direitos básicos. Essas informações são essenciais para a formulação de políticas públicas que respeitem as particularidades culturais e as necessidades dessa população, buscando reverter essa realidade de vulnerabilidade.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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