Os Emirados Árabes Unidos (EAU) estão muito próximos de assinar um importante acordo com o Mercosul, o bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A informação foi confirmada nesta segunda-feira, 28 abril, pela ministra de Estado para Cooperação Internacional dos Emirados, Reem Al-Hashimy, durante uma visita ao Rio de Janeiro. Segundo ela, as negociações estão em fase final e a expectativa é de que o acordo seja fechado ainda em 2025.
Esse possível acordo é visto com muito entusiasmo pelos dois lados. Para os Emirados Árabes, o Mercosul representa uma grande oportunidade de ampliar suas parcerias econômicas na América Latina. Já para os países do bloco, especialmente o Brasil, trata-se de uma chance de atrair investimentos e aumentar as exportações para uma das economias mais ricas e influentes do Oriente Médio.

O ministro assistente para Relações Econômicas e Comerciais dos Emirados, Saeed Al Hajeri, afirmou que o Brasil pode se tornar a principal porta de entrada dos Emirados na América Latina. Ele lembrou que os dois países já possuem laços comerciais fortes, principalmente fora do setor de petróleo. Só em 2023, o comércio bilateral não relacionado ao petróleo ultrapassou 4 bilhões de dólares.
Segundo Al Hajeri, os Emirados têm interesse em expandir essa relação para outras áreas estratégicas, como infraestrutura, energia renovável, segurança alimentar e logística. Isso significa que, além de exportar produtos, o Brasil pode receber investimentos em obras, tecnologias sustentáveis e cadeias de produção que ajudem a melhorar o transporte e o armazenamento de alimentos, por exemplo.
O ministro também destacou que ainda há muito espaço para crescimento no comércio entre os dois países. Ele disse que o objetivo é aumentar o volume de trocas comerciais e de investimentos, além de fortalecer parcerias em diferentes setores da economia. Áreas como agricultura, defesa e energia foram citadas como prioritárias.
Apesar da grande distância geográfica, os Emirados Árabes já mantêm quase 20 voos por semana para o Brasil. A ministra Al-Hashimy disse que isso mostra que a distância não é um obstáculo para a cooperação. Ela afirmou que há planos para aumentar ainda mais o número de voos, incluindo a retomada da operação da companhia aérea Etihad Airways no Brasil e a ampliação da atuação da Emirates.
Os Emirados Árabes já assinaram 27 Acordos de Parceria Econômica Abrangente (CEPA) com diferentes países ao redor do mundo. Esses acordos têm como objetivo facilitar o comércio, reduzir tarifas e incentivar investimentos bilaterais. O possível novo acordo com o Mercosul se encaixa nessa estratégia de ampliar a presença internacional dos Emirados e também abrir novas oportunidades para os países parceiros.
O posicionamento brasileiro
O Brasil, por sua vez, já recebe investimentos de empresas e fundos dos Emirados Árabes. Grandes projetos nas áreas de energia limpa, construção civil e agricultura já contam com capital vindo daquele país. Agora, o foco é aumentar essa presença, fortalecendo ainda mais os laços econômicos e também as relações entre os povos.
Para os especialistas, esse tipo de acordo tem grande potencial de gerar empregos, movimentar a economia e incentivar a inovação. Quando dois países ou blocos econômicos se aproximam dessa forma, há ganhos para os dois lados: de um lado, os Emirados encontram novos mercados e parceiros confiáveis; de outro, o Brasil e os demais países do Mercosul ganham acesso a investimentos, tecnologias e oportunidades de exportação.
Se for assinado, o acordo entre os Emirados Árabes e o Mercosul poderá marcar uma nova fase nas relações comerciais entre a América Latina e o Oriente Médio. E, como afirmaram os representantes dos Emirados, esse pode ser apenas o começo de uma cooperação ainda mais ampla nos próximos anos.
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