A China apresentou mais um avanço no setor tecnológico ao lançar, na última semana, os primeiros 12 satélites de um plano que terá, no total, 2.800 satélites. Esses satélites vão fazer o trabalho de processar informações diretamente do espaço. O projeto é liderado pela startup ADA Space, com a ajuda do laboratório Zhijiang.
Esses satélites novos são diferentes dos satélites que já existem. Os satélites antigos pegam informações e mandam para a Terra para serem analisadas. Já esses novos têm inteligência artificial (IA), que é como se fosse um cérebro eletrônico, capaz de entender as informações ali mesmo no espaço. Isso pode ajudar a resolver problemas com o envio de dados e fazer com que as informações sejam usadas mais rápido, quase ao mesmo tempo, em que são coletadas.

Essa rede de satélites se chama Three-Body Computing (que significa ‘computação de três corpos’) e é o começo de um programa maior chamado Star Compute, criado pela ADA Space. Cada satélite tem um tipo de IA muito potente, com oito bilhões de parâmetros (que são como pontos de dados para a IA aprender) e consegue fazer 744 trilhões de operações por segundo (TOPS), que é uma medida da sua capacidade de processamento. Os 12 satélites juntos conseguem fazer cinco quatrilhões de operações por segundo (POPS), o que é tão poderoso quanto mais de 150 iPhones modernos juntos.
O que o governo chinês quer é construir um supercomputador gigante no espaço, com uma capacidade de 1.000 POPS, ligando milhares de satélites com IA. Essa rede poderá fazer análises muito complexas de informações, que poderão ser usadas para muitas coisas, desde acompanhar o clima até criar experiências digitais como se fossem reais.
Os satélites conversam entre si usando luzes laser muito rápidas, que alcançam velocidades de até 100 bilhões de bits por segundo (Gbps). Isso garante que as informações sejam trocadas de forma rápida e eficiente. Além disso, todos os satélites juntos têm um espaço de armazenamento de 30 trilhões de bytes (terabytes), o que permite que eles troquem dados o tempo todo enquanto estão funcionando.
Aplicações científicas e comerciais
Além do avanço tecnológico, os satélites já lançados possuem equipamentos científicos, como detectores de polarização de raios-x. Esses aparelhos ajudam a observar eventos cósmicos de alta energia, como explosões de raios gama, contribuindo para o desenvolvimento da astrofísica e da exploração do espaço.
Essa tecnologia também pode ser usada em diversas áreas comerciais e civis. Uma das principais funções é a criação de réplicas digitais em 3D da Terra, que podem ser úteis em emergências, no planejamento de cidades, no desenvolvimento de jogos, em simulações científicas e até no turismo virtual. Como os satélites processam as imagens e dados diretamente no espaço, eles conseguem gerar modelos do planeta de forma mais rápida e detalhada.
Um dos maiores benefícios desse sistema é a maior eficiência. Estimativas mostram que menos de 10% dos dados captados por satélites tradicionais chegam à Terra, devido a limitações na capacidade de transmissão e nas estações que recebem esses dados. Ao processar as informações no próprio espaço, essa nova estrutura permite que a maioria dos dados seja usada sem depender das estações terrestres.
O lançamento da constelação Three-Body Computing representa mais um avanço da China para fortalecer sua presença nas áreas de inteligência artificial e exploração espacial. O país já investiu em estações espaciais, missões à Lua e veículos autônomos, e agora pretende liderar a próxima geração de redes de computação fora da Terra.
Embora o projeto ainda esteja em fase inicial, especialistas acreditam que essa iniciativa chinesa pode mudar como a computação em nuvem será organizada no futuro. Em vez de depender de grandes centros de dados na Terra, satélites autônomos ligados por inteligência artificial podem assumir essa função, oferecendo vantagens em escala, mobilidade e segurança.
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