O Brasil e a França assinaram, na quarta-feira, 2 de julho, um acordo importante para a produção do helicóptero H145 na cidade de Itajubá, em Minas Gerais. O modelo será fabricado pela empresa Helibras, controlada pela Airbus, uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo.
Esse acordo foi oficializado durante um encontro em Brasília entre o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e o ministro francês da Europa e dos Assuntos Exteriores, Laurent Saint‑Martin. O documento foi assinado pelo secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa.

Investimento de R$ 1 bilhão e 200 helicópteros
Segundo o governo brasileiro, o projeto vai receber um investimento de R$ 1 bilhão nos próximos 15 anos. A expectativa é que sejam produzidos até 200 helicópteros nesse período. Cada unidade do H145 tem um valor estimado de US$ 15 milhões (cerca de R$ 80 milhões), o que mostra o tamanho da oportunidade econômica para o país.
Esses helicópteros poderão ser usados tanto no Brasil quanto em outros países, abrindo caminho para o aumento das exportações. O modelo H145 é conhecido por sua versatilidade: pode ser usado em missões civis, como transporte aeromédico, patrulhamento, transporte offshore, ou em operações militares, como transporte de tropas e resgates.
Itajubá: cidade mineira se destaca no setor aéreo
A fábrica da Helibras em Itajubá já tem tradição na montagem de helicópteros e agora se prepara para dar um passo ainda maior. A cidade já foi reconhecida pelo Senado como a “Capital Nacional da Produção de Helicópteros”.
A Helibras foi fundada em 1978 e atua desde 1980 em Itajubá. É a única fabricante de helicópteros a turbina do Hemisfério Sul e já entregou mais de 850 helicópteros no Brasil, atendendo tanto o setor civil quanto militar.
Além do novo modelo H145, a empresa também monta:
- H225, usado principalmente em operações militares;
- H125, conhecido como Esquilo, bastante usado por polícias e empresas civis.
Com a chegada da produção do H145, a expectativa é de geração de novos empregos na cidade e mais oportunidades para fornecedores brasileiros que poderão participar da cadeia produtiva.
O Ministério do Desenvolvimento informou que a produção do H145 está alinhada ao programa Nova Indústria Brasil (NIB), lançado em 2024. Esse plano tem como objetivo modernizar a indústria nacional, com foco em tecnologia, inovação e exportação de produtos com maior valor agregado.
A produção do H145 no Brasil traz vários benefícios:
- Transferência de tecnologia da Airbus para empresas e profissionais brasileiros;
- Capacitação de mão de obra qualificada, com mais vagas para engenheiros, técnicos e operadores;
- Fortalecimento de empresas nacionais, que poderão se tornar fornecedoras de peças e serviços;
- Geração de empregos diretos e indiretos, principalmente em Minas Gerais.
Além disso, a fabricação local ajuda o Brasil a se tornar menos dependente de importações e mais competitivo no setor aeronáutico.
Para os dois países, esse projeto representa uma parceria estratégica. A França, por meio da Airbus, amplia sua presença na América Latina. Já o Brasil ganha em conhecimento, emprego e capacidade de exportar produtos com tecnologia avançada.
Segundo o governo, o acordo também reforça o papel do Brasil como referência em tecnologia de aviação na região. O H145 tem potencial de atrair interesse de países vizinhos e pode abrir novos mercados para o setor aéreo brasileiro.
O que acontece agora?
Com a carta de intenções assinada, os próximos passos incluem:
- Planejar e adaptar a fábrica de Itajubá para o novo modelo;
- Treinar profissionais para operar as novas tecnologias;
- Iniciar a produção das primeiras unidades nos próximos anos;
- Organizar a rede de fornecedores nacionais;
- Buscar contratos de venda no Brasil e no exterior.
O início da produção do helicóptero H145 em Itajubá é um avanço importante para o Brasil. O projeto vai gerar empregos, movimentar a economia, trazer mais tecnologia para o país e reforçar a indústria nacional. Com apoio do governo e da parceria com a França, o Brasil dá mais um passo para se tornar referência na fabricação de aeronaves de alta tecnologia.


