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Trump taxa Brics e gera reação internacional imediata

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende aplicar uma nova tarifa de 10% sobre produtos vindos de países que apoiarem o Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países em desenvolvimento. A declaração foi feita em sua rede social, Truth Social, e causou reações em várias partes do mundo.

Segundo Trump, os países que “apoiarem as políticas do Brics”, que ele chamou de “antiamericanas”, passarão a pagar mais caro para exportar para os Estados Unidos. Ele não explicou exatamente quais ações seriam consideradas “apoio ao Brics”, mas disse que cartas com as novas tarifas começarão a ser enviadas nesta semana a dezenas de países.

Declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repercutiram entre os líderes dos países que fazem aprte do grupo | Foto: Reprodução / Truth Social

Essa nova medida faz parte de uma série de ações comerciais adotadas pelo presidente americano desde que voltou à presidência dos Estados Unidos. Em abril, ele já havia anunciado aumento de tarifas para produtos como aço, alumínio e carros. Agora, o alvo são os países que se aproximam do Brics, grupo que vem tentando aumentar sua influência na economia mundial e defender o uso de moedas locais no lugar do dólar em transações internacionais.

Reação dos países do Brics

A resposta à ameaça veio rápido. A China, uma das principais potências do grupo, criticou a decisão e afirmou que os Brics não são um bloco contra os Estados Unidos, mas sim uma união de países que buscam equilíbrio nas relações internacionais. O governo chinês afirmou que a política de tarifas é injusta e pode prejudicar a economia global.

Conflito comercial entre Trump e países do BRICS
Países integrantes do Brics defenderam sua posição em relação ao fortalecimento de outras moedas em relação ao dólar | Foto: Repodução / Andrew Caballero-Reynolds /Flickr

A Rússia também se manifestou. Um porta-voz do governo russo disse que os Estados Unidos estão tentando “intimidar” outros países e impedir que eles busquem alternativas ao dólar.

O Brasil, que sediou a cúpula do grupo no Rio de Janeiro, também reagiu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil quer manter boas relações com todos os países, incluindo os Estados Unidos, mas não vai aceitar ameaças. “Ninguém vai dizer com quem o Brasil pode ou não negociar”, disse Lula.

Além disso, Trump também fez declarações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente responde a processos na Justiça. Lula respondeu dizendo que a democracia brasileira será defendida pelos brasileiros, sem interferência estrangeira.

A África do Sul também se posicionou e pediu que os Estados Unidos respeitem a autonomia dos países do Brics. Já a Índia, que costuma adotar uma postura mais neutra, preferiu não comentar diretamente o assunto.

Brics cresce e preocupa os EUA

A primeira reunião do Brics foi realizada em 2006 e, nos últimos anos, vem atraindo o interesse de vários países, como Argentina, Indonésia, Arábia Saudita e Emirados Árabes. O grupo tem ganhado força ao propor mudanças em instituições como a ONU, o FMI e o Banco Mundial, dominadas pelos países ricos. Além disso, o bloco defende o uso de moedas locais nas trocas comerciais, o que enfraqueceria o papel do dólar.

Hoje, os países representam cerca de 30% do PIB mundial e mais de 40% da população do planeta. A medida de do presidente americano pode afastar alguns países que não querem enfrentar os EUA, ou empurrar outros ainda mais para perto do grupo econômico, como forma de resistência. O resultado vai depender das próximas semanas, quando os países afetados vão decidir como reagir à nova política americana.

Tensão aumenta no comércio global

A nova ameaça de tarifas chega em um momento em que a economia global ainda sente os efeitos da pandemia, da guerra na Ucrânia e das mudanças climáticas. A tensão entre os Estados Unidos e os países do Brics pode atrapalhar acordos comerciais, afetar o preço de produtos e dificultar a recuperação econômica de vários países.

Enquanto isso, o dólar se fortaleceu no mercado financeiro e ações de empresas americanas ligadas ao comércio exterior caíram. A próxima cúpula do Brics está marcada para o final do ano, e o tema das tarifas dos EUA pode voltar ao centro das discussões.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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