Em um artigo publicado no dia 22 de julho de 2025, o economista norte-americano Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade da Cidade de Nova York, afirmou que o Brasil pode ter inventado o futuro do dinheiro. O elogio foi direcionado ao PIX, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, que se tornou parte da rotina financeira de milhões de brasileiros desde seu lançamento em novembro de 2020.
Krugman fez o comentário em contraponto à legislação recém-aprovada nos Estados Unidos, o Genius Act, considerada por ele um incentivo a fraudes e crises financeiras futuras. O texto da lei americana visa regulamentar criptomoedas, mas proíbe a criação de uma moeda digital de banco central, o que, segundo o economista, impede avanços estruturais no sistema financeiro.
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No artigo intitulado “O Brasil inventou o futuro do dinheiro?”, Krugman elogia a eficiência, abrangência e usabilidade do PIX. Ele ressalta que, ao contrário de sistemas americanos como o Zelle, operado por bancos privados, o PIX é gerido por uma instituição pública, tem custos baixíssimos e já é utilizado por 93% da população adulta brasileira. O dado é do Banco Central, que afirma que até maio de 2025 já foram registradas mais de 163 milhões de chaves PIX ativas no país.
Além da adesão em massa, o economista destaca o impacto social e econômico da ferramenta. Para ele, o sistema brasileiro atingiu aquilo que as criptomoedas prometiam: inclusão financeira, baixo custo de transação e facilidade de uso. Em comparação, apenas 2% dos americanos usaram criptomoedas para fazer pagamentos em 2024, segundo levantamento do Pew Research Center.
Com o PIX, transações que antes dependiam de boletos, cartões ou transferências bancárias com tarifas elevadas passaram a ser feitas em segundos e sem custo direto para o consumidor final. O impacto é significativo, especialmente em um país onde, segundo o IBGE, cerca de 30% da população adulta não possuía conta bancária formal antes de 2020.
O sucesso do sistema também influenciou os planos do Banco Central para o chamado “Real Digital”, uma moeda digital brasileira que está em fase de testes desde 2023. Segundo o próprio BC, o cadastro no PIX e o uso massivo da ferramenta têm sido vistos como etapa fundamental para a implementação dessa nova moeda, que poderá coexistir com o real em papel e moeda física.
Krugman sugere que países como os Estados Unidos poderiam seguir o exemplo brasileiro, mas afirma que obstáculos políticos e interesses do setor financeiro privado tornam improvável a adoção de algo similar no curto prazo. “A indústria financeira americana é poderosa demais para permitir a criação de um sistema público e eficiente como o PIX”, escreveu.
No artigo, ele também critica duramente a resistência dos parlamentares republicanos à criação de uma moeda digital estatal, apontando que os argumentos sobre privacidade servem apenas como cortina de fumaça para proteger o sistema bancário tradicional. “Muitas pessoas prefeririam ter moedas digitais emitidas pelo governo a manter contas em bancos privados”, afirma o economista.
Outro ponto mencionado foi a segurança do sistema brasileiro em comparação com as criptomoedas. Segundo Krugman, o PIX não gera riscos associados a crimes como extorsão, algo comum no universo das criptos, onde o controle das carteiras digitais depende da posse de chaves criptográficas. “Usar o PIX não cria incentivo para sequestrar pessoas até que entreguem suas senhas”, provocou.
Em sua conclusão, Krugman reconhece o papel de liderança do Brasil na inovação financeira e afirma que outras nações têm muito a aprender com o exemplo brasileiro. “O Brasil não é normalmente visto como referência em tecnologia ou finanças, mas a criação do PIX mudou esse cenário”, escreveu.


