O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos (EUA) avançou a uma taxa anualizada de 3% no segundo trimestre de 2025, segundo dados divulgados pelo Departamento de Comércio nesta quarta-feira, 30 de julho. O resultado ficou acima da projeção de 2,4% feita por economistas consultados pela Reuters.
A alta, porém, foi puxada principalmente pela queda nas importações e aumento nos estoques, dois componentes altamente voláteis e que, segundo especialistas, não refletem diretamente a saúde da demanda interna.
Na comparação com o primeiro trimestre, a economia norte-americana se recuperou de uma retração de 0,5%, ocorrida entre janeiro e março — a primeira queda em três anos.
Em valores, o crescimento anualizado de 3% representa um acréscimo de aproximadamente US$ 876 bilhões à economia dos EUA, que possui um PIB total de cerca de US$ 29,2 trilhões, conforme dados do Banco Mundial. Convertido para o real, utilizando a cotação média de R$ 5,20 por dólar, esse valor equivale a aproximadamente R$ 4,55 trilhões.

Importações em queda explicam parte do avanço do PIB dos EUA
O Departamento de Comércio informou que o principal fator por trás da melhora no PIB foi a redução das importações, que impactam negativamente o cálculo do produto interno bruto. No primeiro trimestre, a corrida para antecipar tarifas mais altas impostas pelo governo Trump havia elevado o volume de importações, gerando um déficit recorde na balança comercial de bens. No segundo trimestre, com a desaceleração desse movimento, o comércio exerceu papel inverso, contribuindo positivamente para a conta do PIB.
Além disso, os estoques empresariais aumentaram de forma modesta em junho, o que também adicionou pontos percentuais ao indicador trimestral. Segundo a Reuters, os ajustes de última hora feitos por economistas elevaram suas estimativas de crescimento em até 0,8 ponto percentual após a divulgação dos números do comércio.
Consumo desacelera e gera sinal de alerta
Apesar do crescimento geral, o avanço nos gastos dos consumidores norte-americanos foi considerado modesto no período. Como o consumo das famílias representa cerca de 70% da atividade econômica dos EUA, a baixa expansão nesse segmento levantou dúvidas sobre a consistência da recuperação.
Para analistas, o indicador mais confiável da força da economia é o que se conhece como “vendas finais para compradores domésticos privados”, que exclui fatores voláteis como comércio e estoques. Esse dado ainda não havia sido divulgado até o fechamento desta matéria, mas costuma ser observado de perto por economistas e autoridades monetárias como termômetro do crescimento interno real.
Leia também: Trump impõe tarifa de 50% ao Brasil, com exceções
Cenário internacional incerto e efeitos das tarifas
Economistas apontam que as políticas comerciais protecionistas do presidente Donald Trump continuam a dificultar a leitura precisa do cenário macroeconômico. Mesmo após o anúncio de acordos comerciais recentes pela Casa Branca, cerca de 60% das importações dos EUA seguem fora de qualquer regime tarifário especial. A taxa efetiva de tarifas no país é uma das mais altas desde a década de 1930, segundo especialistas ouvidos pela Reuters.
Essas incertezas se somam a um cenário externo também instável, marcado por desaceleração econômica na China e tensões comerciais em escala global. A combinação de fatores pode pressionar a economia dos Estados Unidos nos próximos meses.
Projeções para o segundo semestre são mais cautelosas
Apesar do desempenho acima do esperado no segundo trimestre, a maioria dos analistas prevê crescimento mais fraco para a segunda metade do ano. A expectativa é de que o efeito positivo das distorções no comércio e estoques não se repita nos próximos trimestres, o que pode levar o ritmo da economia a desacelerar.
Além disso, o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, sinalizou que manterá sua taxa básica de juros entre 4,25% e 4,50% ao fim da reunião desta quarta-feira. A decisão vai contra a pressão exercida por Trump por uma política mais expansionista, e busca conter pressões inflacionárias no mercado interno.
Expectativas de juros e possíveis impactos
A manutenção dos juros em patamares elevados visa controlar a inflação, mas também tende a afetar o crédito, o consumo e o investimento produtivo. Economistas indicam que a trajetória futura dos juros dependerá do comportamento da inflação e da atividade econômica nos próximos trimestres.
Até o momento, o crescimento do PIB impulsionado por variáveis externas e pontuais, como comércio e estoques, ainda não configura um quadro claro de recuperação sustentada da demanda interna nos Estados Unidos. O comportamento do consumidor, do mercado de trabalho e da inflação continuará a ser monitorado para definir os próximos passos da política monetária.


