A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York começa nesta terça-feira, 23 de setembro, com destaque para os discursos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Lula é o primeiro a falar, seguindo a tradição de o Brasil abrir o evento desde 1947. Em seguida, Trump sobe à tribuna para apresentar a visão dos Estados Unidos.
Embora não haja encontro oficial previsto, a expectativa é que ambos se cruzem nos corredores da sede da ONU e acompanhem os discursos um do outro. A troca de mensagens entre os dois líderes ocorre em um momento de tensão diplomática e de divergências econômicas e políticas entre Brasil e Estados Unidos.
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Lula e a defesa do multilateralismo
Lula deve usar o discurso para falar sobre as tarifas impostas por Washington em meio à crise comercial global. Para o presidente brasileiro, medidas protecionistas aprofundam desigualdades e comprometem a cooperação internacional.
A previsão é de que Lula destaque a necessidade de reformas estruturais na Organização Mundial do Comércio (OMC) para enfrentar práticas consideradas unilaterais. Além disso, deve reforçar a defesa da soberania nacional, com ênfase na autonomia das instituições brasileiras, incluindo o Supremo Tribunal Federal, diante das críticas recebidas de autoridades americanas.
Outro ponto esperado é a pauta ambiental. O Brasil será anfitrião da Conferência do Clima (COP30) em Belém, marcada para novembro. Lula deve buscar apoio político e financeiro ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que propõe a preservação de biomas estratégicos em troca de financiamento internacional de longo prazo.
Questão palestina e política externa brasileira
De acordo com a agenda divulgada, Lula também deve abordar a exclusão da delegação palestina de reuniões dentro da ONU, decisão tomada pelos Estados Unidos. Para o governo brasileiro, a medida representa um sinal de fragilidade democrática no funcionamento das Nações Unidas.
O presidente pretende defender a causa palestina, pedindo mais firmeza da comunidade internacional diante da violência na Faixa de Gaza. Esse posicionamento pode ampliar o contraste com a postura de Washington, que rejeita avanços no reconhecimento da Palestina em fóruns multilaterais.
Trump e a política “America First”
Logo após o discurso brasileiro, Donald Trump apresentará sua visão para os próximos meses. O presidente americano deve justificar as tarifas como instrumentos legítimos para proteger a indústria nacional. A medida está alinhada à sua política de “America First”, que busca priorizar os interesses internos dos Estados Unidos.
Trump também deve reforçar críticas às organizações internacionais, apontando perda de relevância e incapacidade de responder às crises globais. A fala pode reforçar seu discurso sobre a necessidade de fortalecer a autonomia americana em relação a fóruns multilaterais.
Outro ponto esperado é a defesa dos resultados dos primeiros meses de sua gestão. O republicano costuma relacionar sua política externa à redução de conflitos e à mediação de disputas, apresentando Washington como ator central para a segurança mundial.
O Oriente Médio em foco
A questão palestina deve ser central na fala de Trump. O presidente americano considera que o reconhecimento da Palestina por outros países favorece grupos radicais. Ele deve destacar que a prioridade dos Estados Unidos é manter alianças no Oriente Médio, apresentando-se como peça-chave para a segurança da região.
Trump deve reforçar ainda a importância da parceria com Israel e países árabes alinhados a Washington, em contraste com a defesa brasileira de maior abertura para negociações multilaterais envolvendo a Palestina.
Expectativas para o evento
O encontro entre os dois discursos deve ser acompanhado de perto por diplomatas, investidores e analistas. O tom adotado por Lula e Trump pode indicar os rumos da relação bilateral e também influenciar discussões em áreas como comércio, meio ambiente e segurança internacional.
A Assembleia Geral da ONU contará ainda com a presença de outros chefes de Estado e de governo. Cada discurso deve evidenciar os interesses de cada país diante de um cenário de disputas comerciais, tensões geopolíticas e desafios climáticos.


