O filme “Uma Mulher Sem Filtro”, adaptação do livro da Tati Bernades que está disponível na Netflix, vai além de uma comédia leve e revela um retrato real da vida de milhões de mulheres brasileiras que enfrentam diferentes situações em seu cotidiano.
A trama mostra o esgotamento de uma profissional que tenta equilibrar carreira, casa e autocuidado, enquanto enfrenta as mudanças do mercado de trabalho e o machismo estrutural presente no ambiente corporativo.
Logo no início, a história apresenta uma jornalista veterana que vê sua carreira ameaçada após o chefe — um homem que acredita que ela esta ultrapassada — contratar uma influenciadora digital para modernizar o conteúdo da revista, alegando que o cenário atual requer alguém moderno e uma mudança de conteúdo. Com isso, a nova contratada sugere que textos longos virem frases com vídeos curtos e altamente virais.
Neste momento, o filme discute a transformação da comunicação e as novas exigências do mercado, trazendo uma atenção para a atual situação do ambiente corporativo. Por trás da ficção, há uma realidade comum: mulheres que acumulam responsabilidades dentro e fora de casa, muitas vezes sem reconhecimento e com pouco tempo para si.
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A sobrecarga feminina impacta diretamente a economia
De acordo com a ONU Mulheres, as mulheres dedicam o dobro de tempo dos homens às tarefas domésticas e de cuidados, o que limita diretamente suas oportunidades no mercado formal.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), esse trabalho não remunerado equivale a 11% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e mostra que, embora invisível, o esforço feminino sustenta parte significativa da economia do país.
Mesmo diante a essa realidade, o mercado ainda impõe desigualdades. Em média, as mulheres recebem 22% menos que os homens nas mesmas funções e essa diferença cresce quando se tornam mães.
Este fenômeno é conhecido como “penalidade materna”, e reflete o quanto o cuidado continua sendo um obstáculo diante da igualdade econômica.
O autocuidado como ponto de virada
No longa, a virada da protagonista ocorre após uma sessão com uma “terapeuta” que ela tira um tempo pra si. Um gesto que simboliza o movimento que vem crescendo fora das telas: a busca pelo reencontro e equilíbrio, seja no trabalho ou na vida pessoal.
Nos últimos anos, o número de brasileiras empreendedoras aumentou e de acordo com o Sebrae, metade dos cadastros de MEIs (Microempreendedor Individual) são mulheres. Muitos desses dados, são decorrentes a demissão após a maternidade ou referente a algum problema pessoal. O empreendedorismo feminino tem sido um caminho para a autonomia financeira e emocional, principalmente entre as classes C, D e E, que enfrentam maior instabilidade no mercado.
Com isso, cada vez mais mulheres buscam por alternativas para continuar posicionada no mercado. Ainda que isso signifique passar por situações complicadas no ambiente corporativo.
Um lembrete sobre o valor das mulheres na economia
O filme traz uma reflexão sobre o cotidiano de quem tenta equilibrar a vida corporativa enquanto tenta se encaixar em diferentes perfis sociais. Ele mostra que, quando uma mulher decide se escutar e se posicionar, ela não apenas transforma sua própria vida, mas também o espaço ao seu redor, mostrando que tem autonomia, entendimento e o quão importante é seu trabalho, ainda que de forma silenciosa.


