A paralisação parcial dos ônibus em São Paulo iniciada nesta terça-feira, 9 de dezembro, atingiu diretamente o deslocamento de mais de 8,7 milhões de passageiros que utilizam diariamente o sistema municipal, segundo dados da SPTrans. O movimento começou às 16h e afetou linhas em diferentes regiões da cidade, gerando longas esperas, atrasos e interrupção inesperada do serviço.
A Prefeitura de São Paulo registrou um boletim de ocorrência contra as concessionárias que aderiram à greve e afirmou que não houve aviso prévio, o que descumpre a legislação. A administração municipal declarou que o pagamento do décimo terceiro salário, motivo central da paralisação, é de responsabilidade exclusiva das empresas que operam o serviço. Também houve reclamações de motoristas e cobradores sobre o não pagamento do vale-refeição nas férias referentes aos meses de setembro, outubro e novembro.
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Peso da greve no orçamento das famílias
O valor da tarifa do ônibus, hoje em R$ 5 segundo tabela oficial da SPTrans, costuma ser a alternativa mais econômica para deslocamentos diários. Quando o serviço é interrompido, passageiros precisam recorrer a transporte por aplicativo, mototáxi, vans irregulares ou até a mais de uma condução para cumprir trajeto até o trabalho.
O custo médio de uma corrida por aplicativo em horário de pico na cidade varia entre 23 reais e 35 reais em percursos curtos, de acordo com simulações feitas em diferentes aplicativos. Para trabalhadores com baixa renda, o gasto inesperado compromete despesas essenciais, como alimentação e pagamento de contas mensais. Em dias de paralisação, a despesa com mobilidade pode superar cinco vezes o valor habitual de deslocamento, o que cria pressão imediata sobre orçamentos já apertados.
A dependência do transporte público é maior entre famílias que vivem nas regiões mais periféricas da capital, onde o acesso a estações de metrô e trem é limitado. Uma viagem que normalmente custa 5 reais pode se transformar em duas ou três conduções, elevando o gasto diário para mais de 15 reais, especialmente quando há necessidade de alternar ônibus com outro modal. Com a paralisação, muitos trabalhadores relataram trajetos superiores a duas horas e troca de modais acima do habitual.