Aneel mantém cobrança extra nas contas de energia pelo quarto mês seguido. Acréscimo continua em R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos devido ao período seco.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira, 26 de junho, que a bandeira tarifária continuará amarela em julho de 2026. Com a decisão, os consumidores seguirão pagando um valor adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh de energia consumidos.

Nessa época do ano, o volume de água nos reservatórios das hidrelétricas diminui, aumentando a necessidade de acionar usinas termelétricas, que têm custo de produção mais elevado.
A manutenção da bandeira ocorre um dia depois de a Aneel anunciar a distribuição do bônus de Itaipu, que deve garantir um desconto nas contas de luz de agosto para milhões de consumidores. Apesar desse crédito previsto para o próximo mês, a cobrança adicional da bandeira amarela continua valendo normalmente em julho.
Por que a bandeira amarela foi mantida?
De acordo com a Aneel, a redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas exige o uso de fontes de energia mais caras para garantir o abastecimento do sistema elétrico nacional.
As usinas termelétricas, acionadas quando a produção hidrelétrica diminui, utilizam combustíveis como gás natural, óleo combustível ou carvão, tornando a geração de energia mais cara. Parte desse custo é repassada aos consumidores por meio do sistema de bandeiras tarifárias.
Em nota, a agência explicou que a manutenção da bandeira amarela reflete justamente essas condições típicas do período seco.
“Diante desse cenário, a Agência reforça a importância da adoção de hábitos eficientes de consumo para evitar desperdícios e contribuir para a economia doméstica e a sustentabilidade do setor elétrico”, informou a Aneel.
Quanto aumenta a conta de luz?
Com a bandeira amarela, permanece o acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Quanto maior o consumo de energia, maior será o valor adicional na fatura. O cálculo é proporcional ao gasto registrado no mês.
Embora o valor pareça pequeno, ele se soma aos reajustes tarifários aplicados pelas distribuidoras ao longo do ano e pode aumentar significativamente a conta de famílias e empresas com consumo mais elevado.
O que é o sistema de bandeiras tarifárias?
Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias informa aos consumidores, mês a mês, o custo da geração de energia elétrica no país. O objetivo é dar mais transparência ao funcionamento do setor elétrico e incentivar o consumo consciente, já que a cor da bandeira indica se haverá cobrança adicional na conta.
O sistema é dividido em quatro níveis:
- Bandeira verde: não há cobrança extra porque as condições de geração são favoráveis;
- Bandeira amarela: há cobrança adicional de valor moderado, indicando aumento no custo da geração;
- Bandeira vermelha patamar 1: o custo extra é maior devido ao uso mais intenso de fontes de energia mais caras;
- Bandeira vermelha patamar 2: representa o maior nível de cobrança, aplicado quando o custo de geração é muito elevado.
Em situações excepcionais, a Aneel também pode criar bandeiras temporárias. Foi o que ocorreu durante a crise hídrica de 2021, quando entrou em vigor a chamada bandeira de escassez hídrica.
Conta de luz continua pressionando o orçamento
A permanência da bandeira amarela mantém a energia elétrica entre os principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias em 2026.
Nos últimos meses, além da cobrança adicional das bandeiras tarifárias, diversas distribuidoras receberam autorização para reajustar suas tarifas, contribuindo para o aumento das contas de luz em várias regiões do país.
Por outro lado, consumidores devem receber um alívio em agosto com o pagamento do bônus de Itaipu, mecanismo que distribui parte do saldo positivo da comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional. Segundo estimativas da Aneel, uma residência com consumo médio de 116 kWh poderá receber um crédito de aproximadamente R$ 9,16 na próxima fatura.
Mesmo com esse desconto previsto, a recomendação da agência continua sendo reduzir o desperdício de energia. Medidas simples, como apagar luzes de ambientes vazios, utilizar equipamentos com maior eficiência energética e evitar aparelhos ligados sem necessidade, ajudam a diminuir o consumo e reduzem o impacto da cobrança extra enquanto a bandeira amarela permanecer em vigor.


