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Dólar cai para de R$ 5,19 após decisões de juros e movimento global

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O dólar encerrou a quinta-feira, 29 de janeiro, em queda frente ao real e voltou a ser negociado a R$ 5,19, em um movimento que chamou a atenção do mercado financeiro e pode trazer reflexos para a economia brasileira. A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 5,1941, com recuo de 0,27%, registrando o menor valor de fechamento desde maio de 2024. No acumulado de 2026, a desvalorização já chega a 5,37%.

Dólar registra menor valor desde maior de 2024
O comportamento do câmbio aconteceu em um dia de forte oscilação nos mercados globais e acompanhou o enfraquecimento do dólar diante de outras moedas de países emergentes | Foto: Reprodução / Canva

Investidores ampliaram a exposição a esses mercados após decisões recentes sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos, o que ajudou a pressionar a cotação da divisa americana.

No mercado doméstico, o movimento veio logo após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. No comunicado divulgado após a reunião, o comitê indicou que pode iniciar um ciclo de cortes a partir de março, caso o cenário econômico evolua conforme o esperado.

Mesmo com essa sinalização, o Brasil continua oferecendo retornos elevados em comparação a outras economias. Esse diferencial segue atraindo recursos estrangeiros, o que aumenta a entrada de dólares no país e contribui para a valorização do real frente à moeda americana.

Movimento global influencia o câmbio

A queda do dólar no Brasil não foi um fenômeno isolado. No exterior, a moeda também perdeu força em relação a outras divisas de países emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. O movimento reflete um ambiente de maior apetite ao risco, no qual investidores buscam mercados que ainda oferecem juros mais altos.

Nos Estados Unidos, o banco central manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Embora a decisão já fosse amplamente esperada, a autoridade monetária deu poucos sinais sobre quando poderá voltar a reduzir os juros.

No Brasil, apesar da expectativa de cortes futuros na Selic, analistas avaliam que o país seguirá atrativo para operações financeiras que exploram a diferença entre os juros internos e externos. Esse fator ajuda a sustentar o fluxo de capital estrangeiro e reforça a tendência de um câmbio mais comportado no curto prazo.

Reflexos no dia a dia

A queda do dólar costuma ter impacto direto no cotidiano das pessoas, ainda que de forma gradual. Como muitos produtos consumidos no país dependem de itens importados ou têm preços influenciados pelo mercado internacional, a desvalorização da moeda americana pode ajudar a conter reajustes.

Combustíveis, eletroeletrônicos, medicamentos e diversos insumos usados pela indústria sentem os efeitos do câmbio ao longo da cadeia produtiva. Quando o dólar recua, os custos de importação tendem a diminuir, o que reduz a pressão sobre os preços finais cobrados do consumidor.

Esse efeito também contribui para o controle da inflação, já que parte dos aumentos de preços no Brasil está ligada ao custo de produtos cotados em dólar. Um câmbio mais favorável ajuda a preservar o poder de compra das famílias, especialmente em um cenário de orçamento apertado.

Empresas sentem efeitos diferentes

Para empresas que dependem de matérias-primas importadas, o recuo do dólar pode representar alívio nos custos e melhora nas margens de lucro. Já setores voltados à exportação tendem a sentir o efeito oposto, uma vez que um dólar mais baixo reduz o valor recebido em reais pelas vendas ao exterior.

Ainda assim, o patamar atual do câmbio segue equilibrado, sem provocar impactos extremos sobre a competitividade das empresas brasileiras. A estabilidade, nesse caso, é vista como um fator positivo para o planejamento financeiro e para decisões de investimento.

Bolsa recua após clima externo piorar

Enquanto o dólar caiu, o mercado de ações brasileiro terminou o dia em baixa. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, recuou 0,84%, aos 183.133 pontos. Pela manhã, o indicador chegou a registrar uma nova máxima histórica durante o pregão, mas perdeu força ao longo do dia.

A virada foi influenciada pelo humor negativo que tomou conta das bolsas em Nova York, o que acabou contaminando o desempenho dos ativos no Brasil. O volume financeiro negociado somava R$ 35,7 bilhões antes dos ajustes finais, refletindo um dia de intensa movimentação.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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