Duas semanas foi o tempo que o Rio de Janeiro levou, numa mesma janela de tempo e espaço, para sediar a Feira Preta, a Rio Nature and Climate Week, o Rio2C e o Web Summit. O que também significa quatro eventos e quatro universos distintos, mas que se cruzam.

Quatro multidões que chegaram de avião, de metrô, de BRT (Bus Rapid Transit, sistema de ônibus de trânsito rápido) e de aplicativo, depositando dinheiro na cidade de maneiras que nenhum economista consegue tabular por inteiro. Esse é o tipo de fenômeno que nós, da comunicação, adoramos chamar de “aquecimento da economia criativa” e que, numa palavra mais honesta, também poderia ser: ebulição.
O que acontece quando uma cidade concentra esse volume de eventos num mesmo intervalo de tempo não é apenas crescimento; é evolução com impacto econômico direto. Hotéis lotados na Barra para o Rio2C e o WS (Web Summit), em Ipanema e no Centro para a Rio Nature and Climate Week (RNCW) e a Feira Preta.
As cifras de impacto econômico produzidas, por vezes, esquecem daquele número que é o mais revelador: o dinheiro do ambulante, o cara que monta a barraca de água de coco na Praça Mauá, a mulher que vende acarajé nas tendas da Feira Preta, o motorista de Uber que trabalha horas seguidas e termina o mês quitando a parcela do carro que estava em atraso.
Esse é o dinheiro que circula de mão em mão, sem nota fiscal, sem CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), sem relatório de impacto. E é exatamente por isso que ele diz algo que os números oficiais escondem: quem realmente sustenta a festa de uma cidade criativa não é só quem está no palco principal.


