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Mais de 8 em cada 10 famílias brasileiras têm dívidas

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Ter dívidas já faz parte da realidade da maioria das famílias brasileiras. Um levantamento divulgado na última terça-feira, 14 de julho,  pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que 81,6% das famílias tinham algum tipo de dívida em junho. Na prática, isso significa que mais de oito em cada dez lares convivem com parcelas de cartão de crédito, empréstimos, financiamentos, cheque especial ou carnês de lojas.

O percentual é o mesmo registrado em maio e interrompe a sequência de crescimento observada nos meses anteriores. Embora o número continue elevado, a pesquisa identificou alguns sinais de melhora na forma como essas dívidas estão sendo administradas.

Famílias brasileiras seguem com dívidas
Entre eles estão o aumento das famílias que afirmam estar pouco endividadas | Foto: Reprodução / Canva

A redução do tempo médio de atraso no pagamento das contas e a estabilidade da parcela da renda destinada ao pagamento de dívidas.

Contas em atraso permanecem estáveis

O levantamento também analisou a situação das famílias que já deixaram de pagar alguma conta dentro do prazo. Em junho, 29,9% dos entrevistados disseram ter dívidas vencidas, repetindo exatamente o índice registrado em maio.

Já a parcela de consumidores que afirmou não ter condições de quitar essas contas apresentou uma pequena queda, passando de 12,3% para 12,2%. Para a CNC, esses resultados mostram que, apesar do grande número de famílias endividadas, parte dos consumidores conseguiu manter a situação financeira sob controle nos últimos meses.

Outro dado considerado positivo foi a redução do tempo médio de atraso das dívidas, que caiu para 64,8 dias. Além disso, 48,9% das famílias com contas atrasadas disseram estar devendo há mais de 90 dias. Esse foi o menor percentual registrado em 2026.

A pesquisa também apontou que o comprometimento médio da renda com o pagamento de dívidas permaneceu em 29,3%, enquanto 33,3% das famílias continuam com empréstimos ou financiamentos contratados por prazo superior a um ano.

Segundo a CNC, prazos maiores costumam reduzir o valor das parcelas mensais, o que ajuda a aliviar o orçamento.

Maioria diz estar pouco endividada

A pesquisa também perguntou como cada família enxerga sua própria situação financeira. O percentual de pessoas que se consideram pouco endividadas aumentou de 33,3% para 34,2% entre maio e junho.

Ao mesmo tempo, a parcela dos que disseram estar muito endividados passou de 17% para 17,2%. A CNC destaca que essa classificação depende da percepção de cada pessoa. Isso significa que alguém pode se considerar muito endividado mesmo sem estar em uma situação financeira considerada grave.

Por outro lado, também há consumidores que possuem diversas parcelas para pagar, mas conseguem manter as contas em dia e não enxergam a situação como um grande problema.

Famílias de menor renda enfrentam mais dificuldades

Os dados mostram que o peso das dívidas é maior entre quem tem renda mais baixa. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, 84,7% possuem algum tipo de dívida.

Nesse grupo, 38,3% têm contas em atraso e 17,6% afirmam que não conseguem pagar esses débitos. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, 71,4% disseram estar endividadas.

Nesse grupo, 15,4% possuem contas atrasadas e apenas 5% afirmaram não ter condições de quitar os valores pendentes. A pesquisa também mostrou diferenças entre as faixas de renda na comparação entre maio e junho.

O maior aumento do endividamento ocorreu entre quem recebe de três a cinco salários mínimos, passando de 83,1% para 83,7%. Em sentido contrário, entre as famílias com renda de cinco a dez salários mínimos, o percentual caiu de 79,6% para 78,3%.

Segundo a CNC, o mesmo movimento foi observado nas contas em atraso: onde o endividamento aumentou, a inadimplência também cresceu; já nos grupos em que o uso do crédito diminuiu, o número de contas atrasadas também recuou.

Cenário ainda exige atenção

Na avaliação da CNC, a melhora observada em alguns indicadores pode estar relacionada aos primeiros meses do Desenrola 2.0, programa do governo federal voltado para a renegociação de dívidas.

A entidade também cita o aumento da renda média das famílias e um controle maior da inflação como fatores que ajudam a preservar a capacidade de pagamento.

Mesmo assim, a confederação faz um alerta. A expectativa é de que tanto o número de famílias endividadas quanto o de consumidores com contas em atraso volte a crescer nos próximos meses.

Por isso, apesar dos sinais positivos identificados na pesquisa, a recomendação da entidade é acompanhar a evolução do cenário com cautela.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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