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Cartão de crédito e endividamento: 67% dos brasileiros têm dívidas, diz Datafolha

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O uso do cartão de crédito se consolidou como um dos principais motores do endividamento no Brasil. Dados do Datafolha mostram que 67% da população possui dívidas ativas, um cenário que acende alerta sobre a necessidade de planejamento financeiro, especialmente diante dos juros elevados que pressionam o orçamento das famílias.

Além disso, 21% dos brasileiros estão inadimplentes, com contas atrasadas, enquanto 45% relatam viver em situação financeira difícil ou muito difícil. O quadro se agrava com a falta de reserva de emergência: 66% não possuem qualquer poupança, o que faz com que o crédito deixe de ser uma ferramenta estratégica e passe a ser uma solução imediata para cobrir despesas básicas e imprevistos.

O perigo real: o crédito rotativo

A facilidade de não pagar o valor total da fatura do cartão de crédito, o chamado crédito rotativo, mascara riscos silenciosos e aumenta ainda mais a possibilidade de endividamento. Segundo o levantamento, o comportamento do brasileiro com o cartão revela o tamanho do desafio:

  • 57% usam o cartão como forma de pagamento habitual;
  • 29% já atrasaram a fatura ao menos uma vez;
  • 27% recorreram ao crédito rotativo.

Essa modalidade é a grande vilã do bolso. O que começa como um valor controlável rapidamente se transforma em uma bola de neve, comprometendo a renda dos meses seguintes antes mesmo de o salário cair na conta.

O cartão de crédito é ferramenta ou armadilha? 🧐 Os dados não mentem: para 27% dos brasileiros, o rotativo virou uma bola de neve. Se a fatura está tirando o seu sono, você precisa ler nossa análise de hoje |Foto: Freepik
O cartão de crédito é ferramenta ou armadilha? Os dados não mentem: para 27% dos brasileiros, o rotativo virou uma bola de neve. Se a fatura está tirando o seu sono, você precisa ler nossa análise de hoje | Foto: Freepik

Consumo por impulso e o impacto real na qualidade de vida

O fácil acesso ao crédito tem incentivado um padrão de consumo mais impulsivo e alimentado o ciclo da dívida no país. Dados do Datafolha mostram que:

  • 68% reconhecem que o crédito fácil estimula gastos desnecessários;
  • 51% não conseguem fechar o mês sem recorrer ao cartão.

Uso de um cartão para pagar outro se torna prática comum em cenários mais críticos e os reflexos desse endividamento extrapolam as planilhas e atingem diretamente o bem-estar das famílias. Para tentar equilibrar as contas e estancar as perdas, os brasileiros estão sendo forçados a realizar cortes drásticos. Os reflexos já aparecem no dia a dia:

  • 64% reduziram gastos com lazer;
  • 60% cortaram refeições fora de casa;
  • 52% diminuíram despesas com alimentação básica.

Os números evidenciam que o descontrole financeiro vai além das contas e afeta diretamente a qualidade de vida.

Guia de sobrevivência: como retomar o controle?

O cartão não precisa ser um inimigo, mas deve ser usado com inteligência. Para sair das estatísticas e retomar o fôlego financeiro, siga estes pilares:

  1. Priorize o pagamento total: nunca aceite o pagamento mínimo. Se o valor estiver alto, busque um empréstimo pessoal com juros menores para liquidar a fatura. O juro do cartão é sempre a opção mais cara.
  2. Estabeleça um Limite Realista: O limite disponível não é renda extra. O ideal é que sua fatura não ultrapasse 30% do seu rendimento mensal.
  3. Monitore em Tempo Real: Use o aplicativo do banco para acompanhar cada gasto instantaneamente. Ver o saldo diminuir em tempo real é o melhor freio para o consumo por impulso.
  4. Fuja dos Parcelamentos Longos: Eles criam um “comprometimento fantasma” da sua renda futura, dificultando qualquer planejamento de emergência.

O cenário desenhado pelo Datafolha é um alerta urgente para a economia doméstica brasileira. Em um país de juros astronômicos, o uso estratégico do crédito não é mais um diferencial, mas uma questão de sobrevivência financeira.

Sobre o autor Fernanda Evarista

Jornalista com qualificação em gestão esportiva e atuação na captação de recursos para a realização de projetos sociais de alto impacto

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