O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, envolvendo a companhia e outras nove empresas do grupo. A medida busca reorganizar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, em meio a um cenário de crédito mais caro, juros elevados e dificuldades para levantar novos recursos.
Para Guilherme Cóta, especialista em recuperação judicial e head de Controladoria da Safegold, o custo do dinheiro pode ter aumentado a pressão sobre as contas da varejista.
Os números do segundo trimestre ajudam a dimensionar a situação. A Casas Bahia registrou R$ 518 milhões de EBITDA ajustado, enquanto o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,278 bilhão. O balanço também mostra que os empréstimos e financiamentos consolidados passaram de R$ 6,298 bilhões no fim de 2025 para R$ 7,034 bilhões em junho de 2026.
“O resultado operacional cobriu menos da metade do resultado financeiro. Quando isso acontece, a empresa passa a pagar juro com dinheiro que a operação não gerou, e a diferença vira dívida nova”, comenta Guilherme.

“O preço desse dinheiro está nas notas explicativas: repasse para instituições financeiras a 17,98% ao ano e empréstimos em moeda nacional e debêntures a 100% do CDI. São taxas correntes do mercado, mas demonstram o elevado custo de capital no Brasil”, diz o especialista.


