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Minas Gerais aposta em cidades inteligentes com nova lei

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Quais programas se destacam nesse momento de transformar cidades de Minas Gerais?

Dentro desse esforço, destaca-se o Programa Cidades do Futuro, em operação desde 2024, que já conta com a adesão de 100 municípios. A iniciativa promove o planejamento urbano, transformação digital e desenvolvimento sustentável, por meio de testes gratuitos de soluções tecnológicas, capacitações e articulação entre esferas públicas e privadas.

Outro programa citado pelo governo estadual é o Minas Inteligente, que visa garantir a continuidade e a maturidade das ações municipais, sempre alinhado a princípios de ética pública, inclusão social, inovação e resiliência urbana. Ele atua em conjunto com os demais projetos, promovendo a integração das políticas públicas e estimulando parcerias com a sociedade civil e o setor privado.

Um dos destaques práticos da política é o programa Moradas Gerais, liderado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). Ele atua em duas frentes: urbana e rural.

Na área urbana, o projeto-piloto iniciou em junho de 2025 no bairro Novo Lajedo, em Belo Horizonte, com previsão de beneficiar até mil famílias por meio de melhorias habitacionais como troca de telhados, pisos e pintura, com investimento de até R$ 35 mil por residência, totalizando R$ 43 milhões.

Na área rural, o foco é construir módulos sanitários e reformar moradias vulneráveis. A meta é entregar 3.000 módulos até 2027 e ampliar o acesso à habitação digna. Além das obras, a Sedese também promove encontros regionais de capacitação e presta atendimento técnico individualizado para apoiar os municípios na implementação de políticas de habitação e planejamento urbano.

Minas Gerais se destaca no cenário nacional com uma política pública que integra áreas urbanas e rurais, reconhecendo a diversidade do estado. Mais de 90% dos municípios mineiros têm menos de 50 mil habitantes e estão em áreas predominantemente rurais. Por isso, a política estadual vai além da digitalização e se ancora em compromissos internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e a Nova Agenda Urbana, o que facilita a captação de recursos.

Além dos programas já em curso, o estado também conta com a adesão voluntária dos municípios ao Minas Livre para Crescer, com mais de 500 cidades participantes, e ao próprio Cidades do Futuro, com mais de 80 municípios ativos. Segundo Graziele Carvalho, o maior desafio agora é o de mobilizar as prefeituras e promover uma verdadeira transformação cultural na administração pública.

Ela aponta que muitos municípios ainda enfrentam dificuldades para acessar recursos, elaborar projetos ou mensurar impactos. “O Brasil não tem problema de dinheiro, tem problema de conhecimento. Os municípios não sabem onde está o recurso, como acessá-lo, como escrever um projeto ou mensurar seu impacto. Existe um caminho básico que poucos compreendem: primeiro vem o plano, depois o projeto e por fim o orçamento. Sem isso, nada sai do papel”, explica.

Outro entrave citado pela especialista é a descontinuidade administrativa. Quando um novo governo assume e descarta projetos do anterior, há perda de tempo, dinheiro e conhecimento acumulado. Para resolver isso, Graziele defende a institucionalização de metas de longo prazo e a formação técnica dos servidores como estratégias essenciais.

O movimento mineiro também ganha força ao se alinhar com diretrizes federais. O Planejamento Brasil 2050, coordenado pela ministra Simone Tebet, propõe uma visão estratégica de futuro para o país e ajuda a reforçar a cultura do planejamento nos estados e municípios.

Com base em planejamento, inovação e inclusão territorial, Minas Gerais se posiciona como referência nacional na construção de um novo modelo de cidade. A lei é só o começo. O desafio agora é transformar diretrizes em realidade, colocando os cidadãos no centro das decisões e criando cidades mais inteligentes, humanas e sustentáveis.

*Entrevistas concedidas ao Diário do Comércio.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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