O Pix, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central do Brasil, tem ganhado cada vez mais espaço na rotina dos brasileiros. A agilidade, a gratuidade para pessoas físicas e a conveniência de poder transferir valores a qualquer momento fizeram com que a ferramenta se tornasse uma das principais formas de pagamento do país.

E essa tendência só tende a crescer: segundo o relatório “The Global Payments Report 2025”, da multinacional Worldpay, até 2030, seis em cada dez pagamentos em lojas virtuais no Brasil devem ser feitos via Pix.
O estudo projeta que o Pix representará 58% de todos os débitos realizados em e-commerces e 46% dos efetuados em pontos de venda físicos até o final da década. Hoje, essas taxas estão em 41% e 31%, respectivamente.
A mudança no comportamento do consumidor é impulsionada por uma série de fatores, como a digitalização acelerada, o avanço da tecnologia móvel e o desenvolvimento de novas funcionalidades dentro do próprio sistema, como o Pix parcelado e o pagamento recorrente.
Um ecossistema em expansão
Os dados do Banco Central confirmam o avanço do Pix. Em 2024, foram registradas 63,51 bilhões de operações — um crescimento de 52,4% em relação a 2023. O volume financeiro movimentado ultrapassou R$ 26 trilhões no mesmo período. Para Juan Pablo D´Antiochia, gerente-geral da Worldpay, o Pix está se consolidando como uma das principais “bandeiras” de pagamento do Brasil, ao lado de gigantes como Visa e Mastercard.
“O Pix está virando um ecossistema e está concorrendo com o cartão de débito. De alguma forma, o sistema do Banco Central está se tornando a terceira maior bandeira do Brasil”, afirmou o executivo.
Essa comparação ganha força especialmente quando se observa que o Pix, ao contrário dos cartões, não exige maquininhas, taxas de administração ou prazos longos para que o dinheiro caia na conta do recebedor. Esses diferenciais fazem com que comerciantes e consumidores vejam no Pix uma alternativa mais vantajosa — especialmente em um país com forte presença do empreendedorismo informal.
Tendência global
Apesar do protagonismo do Pix no Brasil, o país não foi o primeiro a adotar um sistema de pagamento instantâneo. Na Noruega, o aplicativo Vipps começou a operar em 2015, e, na Polônia, o Blik também surgiu antes. Contudo, o modelo mais próximo ao do Pix é o FPS (Faster Payment System), lançado em 2018 pelo banco central de Hong Kong. Assim como o Pix, o FPS permite transferências 24 horas por dia, com integração entre bancos e carteiras digitais.
Ainda assim, o Brasil é hoje um dos países que mais utiliza pagamentos instantâneos no mundo. E esse avanço influencia diretamente o comportamento de consumo. No comércio eletrônico, por exemplo, o uso do celular como meio de pagamento triplicou nos últimos 10 anos, saltando de 19% em 2014 para 57% em 2024. A previsão para 2030 é de que esse número alcance 64%, movimentando cerca de US$ 25 trilhões globalmente.
Leia também: Política comercial de Trump afeta ações globais de tecnologia
O papel-moeda em declínio
Paralelamente ao crescimento do Pix, o dinheiro em espécie perde espaço. Em 2024, apenas 17% dos pagamentos em lojas físicas no Brasil foram feitos com papel-moeda. Segundo as projeções da Worldpay, esse número deve cair para 9% até 2030. Embora ainda existam países com forte adesão ao dinheiro físico — como as Filipinas, Nigéria e Japão —, a tendência global é de digitalização.
No entanto, segundo D´Antiochia, a escolha entre dinheiro físico e digital não está necessariamente ligada ao nível de desenvolvimento econômico de um país. “Os japoneses usam muito dinheiro em espécie em lojas de conveniência e em cabines que vendem bebidas e petiscos. É uma questão cultural. No Brasil, há uma queda no uso da moeda, mas não existe expectativa de ela parar de circular”, destaca.
Desafios e oportunidades do Pix
Apesar de todos os avanços, o crescimento do Pix também traz desafios. É necessário garantir a segurança das transações, combater fraudes e educar a população para o uso consciente da ferramenta. Além disso, o setor financeiro precisa se adaptar rapidamente à nova realidade digital, criando soluções que integrem o Pix a outras funcionalidades do dia a dia, como crédito, parcelamento e cashback.
O futuro dos pagamentos no Brasil está sendo moldado por esse sistema ágil e democrático. O crescimento do Pix é um reflexo direto da busca por eficiência, economia e praticidade por parte dos consumidores. E, ao que tudo indica, ele está apenas começando.
*Entrevista concedida a ÉpocaNegócios


