Em um cenário econômico marcado pela pressão sobre os alimentos e o bolso do consumidor, uma boa notícia chegou à mesa dos brasileiros: itens básicos como arroz, feijão e ovos tiveram queda de preços em maio de 2025, segundo levantamento da Neogrid, empresa especializada em inteligência de mercado.
A pesquisa revelou que esses alimentos, tradicionalmente associados ao almoço do dia a dia, apresentaram recuo nos valores médios praticados nos supermercados, contribuindo para um pequeno alívio no orçamento doméstico. Em contrapartida, o café continuou subindo e lidera o ranking de alta de preços em 2025.

Quanto caiu o preço dos alimentos essenciais?
Entre os destaques positivos, os ovos foram os campeões da redução no mês, com queda de 11,8%: o preço médio da unidade caiu de R$ 1,15 em abril para R$ 1,02 em maio.
O arroz, um dos itens mais presentes na mesa dos brasileiros, registrou queda de 5,7%, com o quilo saindo de R$ 5,82 para R$ 5,49. Já o feijão recuou 2,7%, com o pacote de 1 kg passando de R$ 6,86 para R$ 6,68.
Essas reduções são influenciadas por fatores sazonais, oferta elevada no mercado interno e estabilidade cambial no curto prazo, segundo especialistas do setor varejista.
Leia também: Descontos para quitar dívidas com o governo vão até setembro
Outros itens em queda
Além dos produtos do almoço tradicional, a pesquisa apontou quedas em outros itens de consumo diário, como:
- Farinha de trigo: −3,8%
- Shampoo: −3,4%
Essas reduções são importantes principalmente para famílias de baixa renda, que têm maior sensibilidade à variação de preços em alimentos e produtos básicos de higiene e cozinha.
Café segue como vilão da inflação alimentar
Se por um lado a queda no preço do arroz e do feijão representa uma trégua, por outro, o café em pó e em grãos disparou 3,7% só em maio, saltando de R$ 71,50 para R$ 74,18 o quilo.
Desde dezembro de 2024, o café acumula uma alta impressionante de 37,6% — quando custava R$ 53,90. A valorização é atribuída a três fatores principais:
- Quebra da safra de 2024 por conta de condições climáticas adversas.
- Desvalorização do real, que torna o produto mais atrativo para exportação.
- Alta demanda global, especialmente da Europa e América do Norte.
Com a maior parte da produção voltada para o mercado externo, a oferta interna se restringe, o que pressiona ainda mais os preços no varejo nacional.
Outros produtos que encareceram em maio
A pesquisa da Neogrid também destacou altas em outros itens importantes:
- Legumes: +1,9%
- Margarina: +1,4%
- Carne suína: +0,6%
- Água sanitária: +0,5%
Em uma análise regional, o Sudeste liderou o aumento no preço do café, reforçando os efeitos da inflação localizada em grandes centros urbanos.
O que a redução nos valores do arroz e feijão significa para o consumidor?
Apesar de quedas pontuais em alimentos-chave como arroz e feijão, a cesta básica ainda segue pressionada por aumentos em itens com alta frequência de consumo, como café, margarina e legumes.
Especialistas recomendam que o consumidor continue comparando preços, aproveitando promoções e substituindo produtos, sempre que possível, por equivalentes mais baratos — como trocar a carne suína por proteínas vegetais ou buscar marcas alternativas.
A redução no preço de alguns alimentos essenciais pode representar uma economia de até R$ 30 por mês para uma família de quatro pessoas, considerando o consumo médio desses itens. Ao longo de um ano, a economia pode chegar a R$ 360, valor significativo, especialmente para famílias com renda mensal de até dois salários mínimos (R$ 2.824, conforme valor vigente em 2025).
Expectativas para os próximos meses
Em entrevista a CNN, Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid, a tendência é de manutenção da pressão nos preços do café e outros produtos impactados por variações climáticas e câmbio.
No entanto, a estabilidade no preço dos grãos como arroz e feijão pode se manter, se houver controle climático e estoques suficientes. O mesmo vale para ovos, que tiveram oferta elevada no início do segundo trimestre.
O governo federal, por meio do Ministério da Agricultura e da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), mantém estoques reguladores de arroz, o que ajuda a evitar oscilações abruptas no mercado interno.
A queda no preço de alimentos essenciais como arroz, feijão e ovos em maio de 2025 representa um alívio temporário para o consumidor brasileiro, especialmente em tempos de inflação persistente. Por outro lado, produtos como café continuam a pressionar o orçamento doméstico, exigindo atenção redobrada nas compras do mês.
Monitorar esses indicadores permite entender melhor o comportamento da economia e, mais do que isso, ajuda o consumidor a tomar decisões mais conscientes no dia a dia.


