Casos recentes em São Paulo: o surto de 2025
Em 2025, as autoridades detectaram padrões incomuns em casos de intoxicação por metanol: diferente de episódios anteriores, muitas vezes envolvendo álcool usado como combustível, agora as vítimas relatam consumo de bebidas em ambientes sociais — bares, festas e locais de venda normal.
Segundo nota do governo, já são 10 casos confirmados ou sob investigação até 30 de setembro, dos quais três já resultaram em óbito. Os itens apreendidos foram encaminhados à perícia criminal. Em operações em São Paulo, 117 garrafas sem procedência foram recolhidas em bares, apontadas como suspeitas de comercializar bebida adulterada com metanol.
Historicamente, casos de intoxicação por metanol não são inéditos no Estado. Em 1992, quatro mortes foram registradas em Diadema após consumo de bebida contaminada com metanol. No Brasil, um episódio famoso ficou conhecido como “cachaça da morte” em 1990, que resultou em ao menos 24 fatalidades em Santo Amaro (BA) e municípios vizinhos.
Sintomas de intoxicação
Após ingestão de bebida adulterada com metanol, os sintomas podem aparecer já nas primeiras horas e evoluir com gravidade.
Entre os sinais iniciais mais comuns estão:
- Dor de cabeça intensa
- Náusea e vômito
- Tontura
- Visão turva ou borrada
- Rebaixamento do nível de consciência
Com o passar do tempo (12 a 24 horas), pode surgir cegueira parcial ou total, convulsões e colapso respiratório. É importante destacar que esses sintomas podem ser confundidos com embriaguez comum, o que atrasa o diagnóstico.
Como identificar bebidas potencialmente adulteradas
O Procon-SP recomenda algumas dicas para o consumidor desconfiar de bebidas irregulares:
- Preços muito baixos, claramente abaixo do mercado
- Embalagens com tampas defeituosas, lacres desalinhados ou diferentes
- Rótulos tortos, borrados ou com erros de ortografia
- Logos alteradas ou variações
- Ausência de informações como CNPJ, endereço, número de lote
Esses indícios não garantem que a bebida esteja contaminada, mas merecem cautela. É desaconselhado tentar testar a bebida em casa por métodos como cheirar, provar ou queimar — esses procedimentos não são seguros nem confiáveis.
Além disso, em São Paulo a força-tarefa fiscal apreendeu garrafas sem procedência para perícia.
O que fazer em caso de suspeita
Se uma pessoa apresentar sintomas compatíveis após consumir bebida alcoólica que possa estar adulterada, é importante agir rapidamente:
- Procurar imediatamente um serviço de urgência ou pronto-socorro
- Informar ao médico ou à equipe que há suspeita de intoxicação por metanol
- Acionar os canais de toxicologia: Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001) ou o CIATox local
- Notificar pessoas que consumiram a mesma bebida para que também busquem atendimento
Em âmbito nacional, o Ministério da Saúde determinou que todas as unidades de saúde sigam protocolo de notificação de intoxicação exógena.
Valores, comercialização e impacto econômico do metanol
No mercado nacional de produtos químicos, é possível encontrar metanol em embalagens industriais com preços aproximados. Por exemplo, uma loja química anuncia R$ 30,00 para 1 litro de álcool metílico (metanol) à vista. Em outra oferta, um galão especial de 5 litros é vendido por R$ 110,00. Já um fornecedor anuncia um tambor de 200 litros por cerca de R$ 1.630,00.
Em escala global, o metanol é cotado como commodity. Em novembro de 2024, o preço de referência ficou em US$ 818,35 por tonelada, o maior valor desde 2008. Em 2025, o novo valor de referência estimado atingiu US$ 826,66/tonelada, o que equivale a aproximadamente R$ 4.685,10/tonelada, conforme conversão feita por entidades de mercado brasileiro.
Esses valores refletem custos de produção, oferta internacional, variação cambial, logística e demanda das indústrias químicas.
Onde o metanol é comercializado?
O metanol é vendido principalmente para indústrias químicas, empresas de biodiesel, produtores de solventes, fabricantes de tintas e revestimentos, indústrias farmacêuticas e agroquímicas. Também é adquirido para uso como combustível alternativo em motores adaptados ou misturado em processos industriais.
Empresas como a Valenz — uma das grandes fornecedoras de metanol para o Brasil — reajustam periodicamente sua tabela de preços. Em fevereiro de 2024, a Valenz anunciou reajuste de 6,9 %, passando a cobrar cerca de US$ 618,49/tonelada para o produto.
No mercado internacional, contratos futuros são negociados. Por exemplo, o índice Methanol T2 FOB RDAM ICIS apresenta preços que variam conforme oferta e demanda mundial.
Impacto econômico
Quando os preços do metanol sobem, isso pode pressionar os custos de várias cadeias industriais que dependem desse insumo, como a produção de solventes, tintas, adesivos, biodiesel e produtos farmacêuticos. Isso pode ser repassado ao consumidor final em produtos do cotidiano.
Uma análise da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificou que a expansão do setor de metanol, estimulada pela queda do preço do gás natural, poderia gerar impactos positivos para a economia brasileira, especialmente no polo químico e nas exportações de derivados.
Desde outubro de 2023 até abril de 2025, os preços do metanol vêm passando por ciclos de alta, era esperado que o metanol ficasse ainda mais caro a partir de outubro de 2025. Essa alta prolongada encarece o custo de produção de insumos químicos em geral.


