Empresas também enfrentam aperto
As dívidas não se concentram apenas nas famílias. Mais de 8 milhões de empresas estão com o nome negativado, número recorde na série histórica. Há um ano, eram 6,9 milhões. O país tem hoje cerca de 24,5 milhões de negócios ativos, o que significa que um terço deles enfrenta dificuldades para manter as contas em dia.
O valor médio devido pelas empresas também aumentou, passando de R$ 21,6 milhões em 2024 para R$ 24,6 milhões em 2025. A maior parte dessas dívidas está relacionada a serviços e crédito bancário.
A combinação de juros altos, queda nas vendas e margens de lucro menores explica o aumento da inadimplência. Com o crédito mais difícil e caro, muitas companhias têm adiado investimentos e reduzido o ritmo de contratações.
As micro e pequenas empresas, que representam a maioria dos negócios no país, são as que mais sentem o peso desse cenário. Como costumam ter pouco caixa e menos acesso a empréstimos, ficam vulneráveis a qualquer variação na economia. Para atravessar o próximo ano, muitas terão de renegociar prazos, ajustar o fluxo de caixa e rever gastos.
O que pode mudar?
A reversão desse quadro depende, principalmente, da queda dos juros e da inflação, além de um controle maior sobre as contas públicas, que influencia o custo do crédito. Ainda assim, a melhora deve ser lenta, já que as dívidas acumuladas não desaparecem de uma hora para outra.
Enquanto isso, especialistas alertam para a importância da educação financeira e do planejamento doméstico. Avaliar o que é essencial, cortar despesas que não são urgentes, evitar o uso do cartão de crédito e, se possível, criar uma reserva de emergência são passos que ajudam a evitar novos endividamentos.


