Por que alguns estados têm taxas tão baixas?
Segundo o analista do IBGE, William Kratochwill, o principal fator é a estrutura econômica de cada região. Ele explica que cada estado tem particularidades que influenciam no nível de emprego.
Em Santa Catarina, por exemplo, há o maior percentual de trabalhadores empregados na indústria, setor que costuma gerar empregos mais estáveis e com maior formalização. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o agronegócio é a base da economia e ajuda a manter os índices de ocupação elevados.
Por que o desemprego é maior em outras regiões?
O Nordeste aparece com algumas das taxas mais altas. Kratochwill explica que a região é “menos desenvolvida economicamente”, além de ter nível de escolaridade mais baixo. A falta de mão de obra qualificada reduz o ritmo de crescimento econômico e dificulta a geração de empregos formais.
O percentual de trabalhadores formais no setor privado é um indicador importante da qualidade dos empregos. A média nacional é de 74,4%. Oito estados superam essa média:
- Santa Catarina: 88,0%
- São Paulo: 82,8%
- Rio Grande do Sul: 82,0%
- Mato Grosso do Sul: 80,8%
- Paraná: 80,7%
- Mato Grosso: 78,9%
- Rio de Janeiro: 76,7%
- Distrito Federal: 76,3%
Por outro lado, sete estados têm menos de 60% dos trabalhadores com carteira assinada:
- Maranhão: 51,9%
- Piauí: 52,4%
- Paraíba: 55,3%
- Pará: 56,8%
- Acre: 58,1%
- Ceará: 58,9%
- Bahia: 59,3%
Essas diferenças mostram como a qualidade do emprego ainda varia muito entre as regiões brasileiras.
O que os números mostram sobre o país
O novo levantamento revela um momento importante para o mercado de trabalho. A queda no desemprego reforça a recuperação da economia e mostra que mais pessoas estão conseguindo se ocupar, seja em vagas formais, informais ou por conta própria.
Ao mesmo tempo, os dados deixam claro que ainda existe grande desigualdade entre os estados. Regiões com indústria forte, agronegócio ativo e maior escolaridade lideram os menores índices de desemprego, enquanto áreas com menos desenvolvimento seguem enfrentando desafios.
Mesmo assim, o resultado nacional de 5,6%, o menor em 12 anos, representa um avanço significativo.


