Uso crescente de linhas mais caras de crédito
Em um contexto de pouca reserva de emergência, qualquer gasto inesperado pode levar o consumidor a buscar crédito mais caro. É o caso de despesas médicas, consertos de veículos ou manutenção da casa.
Segundo o Banco Central, o crédito rotativo do cartão de crédito cresceu 8,6% ao longo de 2025. O empréstimo pessoal avançou 14,7% e o uso do cheque especial teve alta de 10,9%.
Um dos destaques foi o crescimento do crédito consignado privado, modalidade em que a parcela da dívida é descontada diretamente da folha de pagamento. Esse tipo de crédito teve expansão de 183,6% no ano, especialmente entre trabalhadores do setor privado e empreendedores.
Juros elevados ampliam o custo das dívidas
Enquanto a taxa Selic encerrou 2025 em torno de 15% ao ano, o juro médio pago pelas pessoas físicas chegou a 60% ao ano em dezembro. Em janeiro, essa taxa era de 54,3%, o que representa um aumento de aproximadamente 7 pontos percentuais no período.
No caso do cartão de crédito, os números são ainda mais expressivos. A taxa máxima anual ultrapassa 1.000%, enquanto a média entre as instituições financeiras ficou em 476%, segundo dados do Banco Central referentes ao período entre 9 e 15 de janeiro.
Cláudio Hamilton Matos dos Santos, técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), explica que, em financiamentos corrigidos por taxas como a Taxa Referencial (TR), o impacto dos juros aparece no tempo necessário para quitar a dívida, e não necessariamente no valor da parcela mensal.
Isso significa que, mesmo mantendo dívidas proporcionais à renda, as famílias precisam destinar uma parcela maior do orçamento para o chamado serviço da dívida, que é o pagamento de juros e amortizações.


