IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Aluguel sobe mais que a inflação em 2026 e pesa cada vez mais no bolso

Por

·

Quem mora de aluguel precisou reservar uma fatia maior da renda para pagar a moradia neste ano. Os preços dos imóveis residenciais para locação subiram 5,24% no primeiro semestre de 2026, enquanto a inflação oficial do país, medida pelo IPCA ((Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 3,36% no mesmo período. Os dados são do Índice FipeZAP, indicador que mostra se os imóveis e aluguéis estão ficando mais caros ou mais baratos no país.

Aluguel sobe em 2026
O dado mostra que o aluguel aumentou mais rapidamente do que a média dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras | Foto: Reprodução / Canva

O reajuste também ficou acima do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), índice utilizado em muitos contratos de aluguel, que acumulou alta de 3,27% entre janeiro e junho.

Alta continua mesmo com inflação mais baixa

Em junho, os aluguéis tiveram aumento médio de 0,81%. Embora tenha sido um resultado um pouco menor que o registrado em maio, quando a alta foi de 0,85%, o percentual ficou bem acima da inflação do mês, que foi de apenas 0,16%. Segundo o Índice FipeZAP, a procura por imóveis para alugar continua elevada, o que ajuda a manter os preços em alta.

Por que o aluguel continua aumentando?

Comprar um imóvel ainda não ficou mais fácil para boa parte das famílias. Mesmo com o início da redução da taxa básica de juros pelo Banco Central, os financiamentos imobiliários continuam caros. Como essa redução demora para chegar às linhas de crédito oferecidas pelos bancos, muitas pessoas adiam a compra da casa própria e seguem morando de aluguel.

Com mais gente procurando imóveis e uma quantidade limitada de opções disponíveis, os preços continuam subindo.

Falta de imóveis ajuda a pressionar os preços

O estudo aponta que a oferta de imóveis ainda não consegue atender toda a demanda em várias cidades brasileiras. Quando há mais pessoas procurando do que imóveis disponíveis para locação, os proprietários conseguem reajustar os valores com mais facilidade.

Entre as 22 capitais pesquisadas, apenas uma registrou queda no primeiro semestre. As maiores altas ocorreram em:

  • Aracaju: 16,82%;
  • Manaus: 11,14%;
  • Campo Grande: 10,77%;
  • Fortaleza: 9,45%;
  • Rio de Janeiro: 8,27%.

São Paulo, maior mercado imobiliário do país, acumulou alta de 3,65%. A única capital onde os aluguéis ficaram mais baratos foi São Luís, no Maranhão, com queda de 1,21%.

Em um ano, aluguel quase dobrou a inflação

O aumento fica ainda mais evidente quando a comparação considera os últimos 12 meses. Nesse período, os preços dos aluguéis acumularam alta de 9%, enquanto a inflação oficial chegou a 4,64%.

De acordo com o Índice FipeZAP, a dificuldade para comprar um imóvel continua sendo um dos principais fatores por trás desse movimento. Além dos financiamentos mais caros, o preço das moradias permanece elevado, fazendo com que muitas famílias continuem no mercado de locação por mais tempo.

Apartamentos de dois quartos tiveram os maiores reajustes

Os imóveis mais procurados foram justamente os que apresentaram as maiores altas. Em junho, os apartamentos com dois dormitórios registraram valorização de 1,22%, refletindo a procura por imóveis voltados principalmente para famílias de renda média. Já os apartamentos com quatro dormitórios ou mais tiveram leve queda de 0,30% no mês.

Quanto custa alugar um imóvel?

Nas 36 cidades analisadas, o aluguel residencial chegou ao valor médio de R$ 53,79 por metro quadrado. Entre as capitais, os maiores preços foram registrados em:

  • São Paulo: R$ 64,98 por metro quadrado;
  • Recife: R$ 64,06 por metro quadrado;
  • Belém: R$ 63,03 por metro quadrado;
  • Florianópolis: R$ 60,82 por metro quadrado;
  • Rio de Janeiro: R$ 59,87 por metro quadrado.

O valor final varia conforme o tamanho do imóvel e a localização, mas os dados mostram que o custo da locação continua elevado em boa parte do país.

Mercado segue aquecido

Os aluguéis mais altos também mantêm o interesse de quem compra imóveis para gerar renda com locação. O retorno médio anual foi de 6,13%. As maiores rentabilidades foram registradas em Recife (8,56%), Cuiabá (8,29%), Belém (8,23%), Manaus (8,08%) e Natal (7,55%).

Os imóveis menores continuam oferecendo melhor retorno proporcional. Apartamentos de um dormitório tiveram rentabilidade média de 6,77% ao ano, enquanto unidades com quatro dormitórios ou mais registraram média de 4,85%.

Enquanto a compra da casa própria continua distante para muitas famílias, a procura por imóveis para locação segue forte e mantém os preços acima da inflação, aumentando o peso dessa despesa no orçamento mensal.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade