O preço do petróleo registrou forte queda nesta segunda-feira, 27 de julho, após Estados Unidos e Irã anunciarem uma pausa nos ataques que vinham intensificando o conflito no Oriente Médio. A trégua reduziu a preocupação do mercado com possíveis problemas no abastecimento mundial e trouxe alívio para investidores em diferentes países.
Depois de ultrapassar US$ 100 por barril, cerca de R$ 560, na semana passada, o petróleo voltou a recuar com força. No início da manhã desta segunda-feira, o barril do tipo Brent, referência usada pelo Brasil, era negociado a US$ 88,93, aproximadamente R$ 498, acumulando queda superior a 8%.

Por que o preço do petróleo caiu?
A principal razão para a queda foi o anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã, após quase duas semanas de confrontos. Durante 13 dias, os ataques elevaram o temor de que o conflito pudesse afetar a produção e, principalmente, o transporte de petróleo na região do Oriente Médio. Quando existe o risco de redução da oferta, os preços costumam subir rapidamente.
Com a interrupção dos bombardeios, parte dessa preocupação diminuiu. O mercado passou a acreditar que ainda há espaço para negociações diplomáticas, reduzindo a possibilidade de uma crise ainda maior. Mesmo sem um acordo definitivo de paz, a pausa nos ataques foi suficiente para aliviar a pressão sobre o preço da commodity.
O que é o petróleo Brent?
O petróleo Brent é uma das principais referências internacionais para definir o preço do petróleo negociado no mundo e serve de base para diversos combustíveis, incluindo parte dos comercializados no Brasil.
Por isso, quando o valor do barril sobe ou cai de forma significativa, o movimento costuma influenciar o mercado de combustíveis, embora os efeitos não sejam imediatos nas bombas dos postos.
Isso acontece porque outros fatores também entram na conta, como o câmbio, os custos de produção, os impostos e a política de preços adotada pelas empresas do setor.
Bolsas e dólar também reagiram
A redução das tensões no Oriente Médio também trouxe um clima mais positivo aos mercados financeiros. As principais bolsas da Ásia encerraram o dia em alta, enquanto os mercados europeus abriram com ganhos. Nos Estados Unidos, os contratos futuros das bolsas de Nova York também avançaram.
Empresas dos setores de turismo e aviação ficaram entre as mais beneficiadas pela expectativa de combustíveis mais baratos. Em contrapartida, ações de companhias petrolíferas registraram perdas, acompanhando a forte desvalorização do barril.
No mercado de câmbio, o dólar perdeu força frente a outras moedas, refletindo a diminuição da procura por ativos considerados mais seguros em momentos de crise.
Ainda há riscos no Oriente Médio
Apesar da queda expressiva do petróleo, o mercado continua acompanhando a situação na região. Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Qualquer interrupção nessa rota pode provocar novos aumentos nos preços.
Mesmo após o anúncio da pausa nos ataques, o tráfego de navios continua reduzido e autoridades iranianas afirmaram que seguem controlando a região. Nos últimos dias, embarcações chegaram a ser interceptadas ao tentar atravessar o estreito.
Além disso, permanecem as preocupações com ataques de rebeldes houthis, aliados do Irã, contra instalações ligadas ao petróleo na região do Mar Vermelho.
Por isso, especialistas avaliam que o mercado ainda deve continuar sensível às notícias sobre o conflito. Se a trégua for mantida e houver avanço nas negociações entre os países, a tendência é de maior estabilidade nos preços. Caso as hostilidades sejam retomadas, o petróleo poderá voltar a registrar fortes oscilações nos próximos dias.


