Juros podem dificultar negociação com credores
O custo do dinheiro também interfere nas negociações feitas por empresas que precisam reorganizar suas dívidas. Para explicar esse ponto, Cóta usa o conceito de valor presente, que compara quanto um pagamento futuro vale hoje.
“Um plano de recuperação é uma troca de valor presente: o credor aceita receber menos, mais tarde, em vez de executar hoje. Essa conta depende da taxa que ele usa para trazer o futuro ao presente. Com juro alto, o mesmo plano, com as mesmas parcelas, passa a valer menos para quem vai receber”, Diz Cóta.
Um levantamento da Associação Brasileira de Jurimetria sobre recuperações em São Paulo, citado pelo especialista, aponta que, nos planos aprovados com desconto, o deságio médio foi de 47,2% para credores com garantia real e de 70,8% para quirografários. O prazo médio chegou a nove anos, com juros entre 4% e 5,3%.
“Ou seja, paga-se uma fração do crédito ao longo de quase uma década, remunerada bem abaixo do custo de oportunidade atual. Na prática, o credor endurece primeiro no prazo e na carência, depois passa a preferir garantia real a promessa de fluxo, e escrutina a projeção como nunca”, comenta.


