Mais rápido, mais alto e mais forte: não necessariamente nesta ordem
As Paralimpíadas não são apenas uma exibição de força física ou velocidade. Elas revelam a essência mais profunda do que significa ser “mais forte”. Nesse contexto, força não é medida apenas em quilos levantados ou na potência de um sprint. É também uma força de vontade indomável, uma resiliência que enfrenta barreiras que muitos nunca imaginaram.
“Mais rápido” ganha novos contornos quando pensamos nos atletas paralímpicos. A velocidade não é apenas sobre quem cruza a linha de chegada primeiro, mas sobre a rapidez com que alguém se levanta diante da adversidade, a celeridade com que a alma responde ao desafio de superar limitações impostas por uma sociedade que muitas vezes subestima as capacidades das pessoas com deficiência.
E “mais alto”? Nas Paralimpíadas, é elevado não apenas o corpo, mas o espírito humano, que alcança novas alturas de coragem e determinação. Cada salto, cada braçada e cada volta na pista se tornam atos simbólicos de ascensão, não apenas no esporte, mas na vida.
Rodrigo Hübner Mendes, autoridade em educação de inclusão, desenvolveu ONE FLAME (uma chama) e propôs a unificação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos para Tokyo 2020. Veja o que ele disse a época:
“Penso que a criação de um espaço específico para atletas com deficiência foi uma conquista histórica do movimento mundial em busca de garantia de direitos para tais pessoas. Indiscutivelmente, tem propiciado uma projeção global do tema, colaborando para tirá-lo da invisibilidade.
No entanto, a separação completa dos jogos, entre Olímpicos e Paralímpicos, vai na contramão da ideia de uma sociedade inclusiva. Que mensagem transmitimos ao mundo segregando os atletas pelo fato de terem, ou não, uma deficiência? Além disso, o ato de se apagar a pira Olímpica e, depois de algumas semanas, se acender a pira Paralímpica, só reforça essa mensagem negativa.”
O projeto encontrou resistências no Comitê Olímpico Internacional e não foi aprovado.


