Cuidado, este gato pode ser lebre
Por outro lado, senti que quem estava à frente da organização do evento mostrou um certo incômodo com outras temáticas. Na abertura oficial do Congresso, o discurso do presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia trouxe à tona alguns questionamentos sobre os caminhos que estão sendo trilhados por profissionais de uma das áreas mais endinheiradas da Medicina.
O Dr. Francisco Le Voci foi direto e objetivo quando falou sobre a busca desenfreada pela beleza e pela longevidade, que segundo o especialista está ultrapassando as barreiras da sensatez, e com as bênçãos das redes digitais está colocando em risco os avanços científicos e ameaçando a imagem das instituições que buscam difundir as boas práticas e estabelecer limites para o possível e o impossível a arriscar.
Trocando em miúdos, muitas clínicas estão se transformando em balcões de negócios sem levar em consideração as reais necessidades da paciente. Profissionais estão barganhando, e abandonando o Juramento de Hipócrates, um dos documentos mais longevos da humanidade, com origem na Grécia Antiga e exprime a promessa que o médico assume ao se formar em respeitar a vida, a dignidade do paciente, o segredo profissional, e busca da cura com ética e responsabilidade.
Outra voz também se levantou para acenar sobre o perigo que ronda a dermatologia no país, Dr. Paulo Barbosa, presidente do 35º Congresso Brasileiro de Dermatologia. Em entrevista, o médico fez questão de ressaltar suas preocupações, e aconselhou a mulherada a ter discernimento e frear a agonia e a expectativa em torno das falsas fórmulas da longevidade, “afinal seu corpo, seu rosto, sua pele são seu patrimônio”, me confessou.
Só me resta dizer, quem avisa amigo é, não confunda dermatologia com consumismo, esse gato pode ser lebre.


