Precisamos cultivar o que é nosso
Dados recentes reforçam o tamanho dessa diversidade. Um estudo publicado na revista Science, como parte do projeto DNA do Brasil, revelou que a composição genética média dos brasileiros é de 60% de ancestralidade europeia, 30% africana e 10% indígena. A pesquisa, que analisou o DNA de mais de 4 mil pessoas de todas as regiões do país, mostrou que o Brasil é uma das populações mais miscigenadas do planeta.
Ainda assim, seguimos tentando caber em um modelo homogêneo, racionalista e individualista de felicidade. E, ao fazer isso, rompemos com nossas raízes, fragilizamos nosso senso de pertencimento e deixamos de valorizar saberes que poderiam nos oferecer caminhos mais coerentes — e mais nossos.
Como sugere Tim Lomas, felicidade é um conceito relacional, simbólico e histórico. Está nos vínculos que criamos, na dignidade que cultivamos, na identidade que partilhamos. Está no prato que se divide, no corpo que dança, na fé que acolhe.
É isso que as métricas globais ainda não sabem medir — e que, no Brasil, talvez seja o que mais sustenta a vida. Por isso, mais do que nunca, é preciso romper com a lógica da exclusão simbólica. A felicidade, para ser verdadeiramente nossa, precisa reconhecer todas as formas de ser e estar. Precisamos resgatar o que nos foi negado, afirmar nossa pluralidade e cultivar um país onde todas as culturas sejam respeitadas, onde todas as vozes sejam ouvidas, e onde o bem-estar não seja um privilégio — mas um direito compartilhado.
Só assim o Brasil poderá ser, de fato, uma nação gentil — e feliz.


