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O esporte feminino vira o jogo e se firma como potência global 

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O poder das atletas como marcas e influenciadoras

Entre 2019 e 2023, o futebol feminino no Brasil registrou expansão em número de clubes, transmissões e público. Segundo a Outfield, quase 200 clubes estavam em atividade em 2022, mantendo o ritmo dos anos anteriores. Já o Brasileirão Feminino A1 teve audiência acumulada de 56,5 milhões de pessoas nas transmissões da Globo e Sportv em 2024 — um crescimento consistente em relação a anos anteriores.

E os investimentos começam a refletir esse novo interesse:

  • O Itaú se tornou patrocinador máster da seleção feminina até 2026, com contratos próprios e ativações focadas em identidade e diversidade.
  • A Nike renovou por dez anos com a CBF, pela primeira vez com cláusulas específicas para uniformes femininos.
  • Em 2025, a Betano firmou acordo de patrocínio com a Conmebol para a Copa América 2025.
  • A Globo assumiu, em 2024, a transmissão integral do Brasileirão Feminino na TV aberta e por streaming.

Na Europa, a resposta do público também confirma o novo momento: a edição de 2025 da Eurocopa vendeu mais de 600 mil ingressos e quebrou o recorde de público. É um número que fala por si e coloca o futebol feminino como protagonista não apenas de transmissões, mas também de arenas lotadas, agendas familiares e experiências de alto valor para marcas e organizadores.

Nos bastidores, marcas que antes hesitavam em apostar no segmento agora criam campanhas lideradas por jogadoras como Marta, Ary Borges, Bia Zaneratto, Cristiane e Gabi Portilho.
Mais que visibilidade: elas geram vendas, criam narrativas e movimentam cultura.

Marcas e mídia: o esporte feminino como estratégia

O avanço do esporte feminino não está apenas nas arquibancadas ou nos recordes de audiência — ele já chegou aos departamentos de marketing e às mesas de tomada de decisão. Marcas e plataformas de mídia começam a olhar o feminino como um ativo estratégico, com potencial real de retorno e conexão com públicos diversos. Já não se trata apenas de “dar visibilidade” ou cumprir metas institucionais: investir no feminino passou a ser, também, uma decisão de negócio.

Em entrevista exclusiva ao Super Finanças, Nina Brandão, head comercial de futebol feminino na LiveMode, aponta que o mercado está mudando a forma como vê o feminino:

“O futebol feminino, e o esporte feminino como um todo, está diretamente relacionado a valores como igualdade de gênero e representatividade, o que o torna altamente relevante para as novas gerações e, portanto, para as marcas.”

Nina destaca que marcas como Centauro, Mercado Livre, TikTok, Gerdau e Mastercard têm apostado não apenas em cotas de patrocínio, mas também na construção de narrativas, transmissões proprietárias e experiências de marca alinhadas ao propósito.

“É um território de construção sólida e retorno comprovado. A Centauro, por exemplo, aumentou em quatro pontos percentuais a associação da marca ao esporte feminino após transmitir o Paulistão Feminino em seus canais digitais.”

Essa mudança de mentalidade também é reforçada por Anderson Santos, do Observatório das Transmissões de Futebol:

“As marcas estão entendendo que estar no esporte feminino não é caridade, é visão de futuro, posicionamento e inteligência de negócio.”

Quem ainda chama de nicho pode estar fora da final

A virada do esporte feminino é um caso raro na indústria: é simultaneamente movimento social, revolução econômica e redefinição cultural. Quando uma atleta brasileira tem mais de 20 vezes os seguidores do clube onde atua, não é só sobre popularidade. É sobre protagonismo, autoridade, influência e valor de marca.

Quem continuar tratando o esporte feminino como projeto de “inclusão” — e não como potência econômica e midiática — pode descobrir, em breve, que ficou fora da final.

Sobre o autor Ana Paula Garcez

Força impulsionadora para comunicação e relacionamentos no esporte. Jornalista, Produtora de grandes eventos. Filha de mineiro com baiana, nascida em São Paulo e vive pelo mundo.

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